
Amigos do Blog do Trio,
Faltam apenas três rodadas para o encerramento de mais um Campeonato Brasileiro.
Como é sabido, o Corinthians já assumiu o ritmo de férias e conta os dias para a chegada do ano de seu Centenário.
Desta forma, como um mero observador do torneio, e desprovido de paixões clubísticas, resolvi fazer uma fria análise do desempenho dos principais candidatos ao título nacional:
São Paulo – 62 pontos
Segundo os matemáticos, o tricolor paulista é atualmente o clube favorito para levantar o caneco de 2009.
A verdade é que o São Paulo surpreendeu a todos – inclusive seus torcedores. A equipe teve um primeiro semestre melancólico, no qual jogadores e técnico batiam cabeça.
Como resultado, foi eliminado de maneira acachapante do Paulistão e da Libertadores, ocasionando a demissão de Muricy Ramalho. Ricardo Gomes chegou despertando desconfiança, mas conseguiu colocar os pingos nos “is” e fazer a equipe do Morumbi voltar a jogar.
Apesar dos méritos do treinador e da qualidade do time, a liderança tricolor deve ser creditada, sobretudo, à incompetência de seus rivais. Os constantes tropeços de Palmeiras, Atlético/MG e Internacional/RS permitiram ao São Paulo, que engatou uma sequência boa de resultados, alcançar o primeiro lugar na tabela, mesmo apresentando um futebol longe de ser vistoso.
Ao contrário dos outros times que disputam o título, o São Paulo consegue administrar bem a pressão de figurar na liderança e, a exemplo dos anos anteriores, dificilmente perderá o posto alcançado.
Porém, as próximas duas partidas do tricolor não deverão ser fáceis. Neste fim de semana, vai ao Engenhão enfrentar o desesperado Botafogo, que disputa com o Fluminense uma das vagas para a Série B. Na rodada seguinte, encara o Goiás no Serra Dourada, que, após uma queda de rendimento, briga para ir à Copa Sul-Americana.
A última rodada promete ser mais fácil. Apesar de não poder atuar em sua casa, não deve ter dificuldades para vencer o já rebaixado Sport e sagrar-se campeão mais uma vez.
Contra o tricolor, pesa a indisciplina de seus atletas, que têm colecionado cartões amarelos e expulsões aos montes.
Flamengo – 60 pontos
É o time que pode jogar água no chopp são-paulino.
Com o melhor futebol dentre os candidatos ao título, o Flamengo apresentou uma vistosa ascensão ao conquistar 23 pontos em 10 jogos.
O técnico Andrade, ídolo da torcida nos anos 80, assumiu a equipe após a eliminação na Copa do Brasil e tem conseguido extrair boas atuações do rubro-negro, que tem em Petkovic e Adriano seus principais destaques. Aliás, após uma passagem frustrada pelo Santos, o sérvio tem apresentado um futebol que calou os críticos, os quais decretavam o fim de sua carreira.
A seu favor, o Flamengo tem dois jogos no Rio, respectivamente contra Goiás e Grêmio. O fator casa tem se mostrado decisivo à equipe carioca, visto que entrentá-lo num Maracanã lotado não é das tarefas mais fáceis.
Além disso, entrenta o Corinthians em Campinas, que tem acumulado tropeços por não pretender mais nada neste campeonato. Apesar disso, ao contrário do que vem sendo ventilado por aqueles que anseiam apenas compensar seus próprios erros com teorias conspiratórias, os atletas do Timão – especialmente Ronaldo – prometem encarar o Flamengo com afinco.
É inegável que existe um lobby nos bastidores para que o rubro-negro conquiste o Brasileirão, visto que isso significaria – ao lado do retorno do Vasco à primeira divisão – um reerguimento de parte do combalido futebol carioca no cenário nacional. Entretanto, não acredito que isto esteja influindo nas decisões de árbitros e de autoridades do STJD em relação a seus adversários.
Contra si, pesa o fato de ter que torcer por um tropeço do São Paulo em seus próximos embates. Ainda, o conhecido “oba-oba” da torcida flamenguista, bem como o afastamento do lesionado Maldonado e a visível dependência de Petkovic, podem atrapalhar a conquista do hexacampeonato.
Palmeiras – 59 pontos
O alviverde paulista tem se mostrado como a grande decepção do ano e está prestes a perder o mais fácil título de sua história. Apoiado pela parceria com Traffic, o Palmeiras montou equipes fortes nos últimos dois anos, mas não tem conseguido converter isso em conquistas – à exceção do Paulistão de 2008.
Após perder Keirrison para o futebol europeu, o clube da Barra Funda ainda teve que suportar a mal-explicada demissão do decadente “Mestre” Vanderlei Luxemburgo, responsável por trazer ao plantel jogadores de qualidade duvidosa.
Durante o trabalho do técnico Jorginho, o Palmeiras conseguiu achar sua formação ideal e conquistou sua melhor sequência de partidas, alcançando a liderança da tabela. O interino deu lugar a Muricy Ramalho, que chegou ao alviverde apoiado pelas sucessivas conquistas do Nacional nos anos anteriores.
Porém, o carrancudo comandante não conseguiu corresponder às expectativas, visto que tentou montar no Palmeiras o mesmo esquema utilizado no rival tricolor – e que teria ocasionado sua demissão no Jardim Leonor.
Não bastasse isso, mesmo com um futebol aquém de sua capacidade, Vagner Love chegou à equipe como “intocável”, o que teria ocasionado uma crise de ciumeira no elenco. Ainda, Diego Souza entrou em uma má-fase após não ter apresentado um desempenho satisfatório na Seleção Brasileira.
Com isso, o Palmeiras acumulou tropeços no Nacional e perdeu a confortável vantagem conquistada na liderança, permitindo que São Paulo e Flamengo o ultrapassassem sem dificuldades na tabela.
Para completar, o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo mostrou seu despreparo para o cargo ao perder a razão em um embate com o árbitro Carlos Eugênio Simon, após mais uma trapalhada do inapto apitador. Em função disso, Belluzzo foi suspenso do cargo por nove meses, agravando o clima no clube de origem italiana.
As próximas partidas do Palmeiras serão complicadas. Enfrentar o Grêmio no Estádio Olímpico, tal como ocorrerá nesta quarta-feira, sempre é uma tarefa árdua. Além disso, encara em casa o Atlético/MG – concorrente direto pelo título e pelo G4 – e finaliza o campeonato contra degolado Botafogo no Rio de Janeiro.
As chances de conquista do Nacional são muito remotas. Cabe ao Palmeiras esquecer os problemas extra-campo e buscar o futebol perdido em algum lugar do passado.
Internacional/RS – 56 pontos
Após tanto rebuliço causado pelo seu Centenário, o Inter de Porto Alegre viveu um ano de 2009 longe de ser memorável.
Apontado como um dos favoritos pela imprensa esportiva para conquistar os principais títulos, o Colorado foi facilmente derrotado pelo Corinthians na Copa do Brasil, bem como pela LDU na Recopa Sul-Americana.
Teve um início promissor no Nacional, mas após a saída de importantes atletas da equipe, logo sucumbiu a Atlético/MG e Palmeiras na tabela, sendo posteriormente ultrapassado por São Paulo e Flamengo. Os sucessivos pontos perdidos levaram à demissão de Tite, já desgastado no cargo.
Porém, o Inter conseguiu surpreender ao contratar Mário Sérgio, que tem apresentado um desempenho pífio como treinador, sem jamais conquistar um título no comando de uma equipe. O resultado, por óbvio, não poderia ser diferente.
Entretanto, o Colorado vem embalado após a expressiva vitória sobre o combalido Santos. E, à exceção da partida contra o Atlético/MG, tem dois embates contra os já rebaixados Sport e Santo André.
Assim como o Palmeiras, o Inter está praticamente fora da briga pelo título e deverá disputar uma das vagas na Copa Libertadores da América. E isso já será um feito e tanto para o técnico Mário Sérgio.
Atlético/MG – 56 pontos
Ao contrário de sua numerosa torcida em Minas Gerais, o Galo nunca me convenceu muito.
E o motivo para tanto reside em dois nomes: Celso Roth e Diego Tardelli.
O primeiro já deu provas nos anteriores de que não nasceu para o sucesso e deveria criar um haras em Ciudad del Este para abrigar seus sucessivos “cavalos paraguaios”.
Já Tardelli é um velho conhecido do Posto 6 e demais adjacências da Vila Madalena, bairro boêmio da capital paulista muito frequentado na época em que ainda defendia o São Paulo. Se no tricolor paulista o atacante não convenceu, no Flamengo não foi muito diferente – à exceção de um gol redentor marcado numa final do Campeonato Carioca.
Em Minas, Diego Tardelli parece ter encontrado o juízo e desandou a marcar gols, figurando como um dos artilheiros do Nacional. Mas, assim como o Atlético/MG e seu treinador, simplesmente não convence.
Aliás, o Galo e Palmeiras entraram numa disputa particular: na ponta da tabela, colecionavam resultados desfavoráveis e deixaram os rivais se aproximarem (e os ultrapassarem).
Se a disputa pelo título é praticamente descartada, a luta do Atlético/MG por uma vaga na Libertadores também não será fácil: terá pela frente dois concorrentes diretos nas próximas rodadas: Internacional/RS em casa e Palmeiras no Palestra Itália.
Serão embates duros para o Galo, que não poderá se dar ao luxo repetir o desempenho da derrota sofrida para o Flamengo, por 3 a 1 em pleno Mineirão.
A salvação do Atlético/MG pode se dar na última rodada, quando enfrenta o Corinthians em Belo Horizonte. Isso porque o Timão, já de férias, se especializou neste Brasileirão na arte de recuperar equipes em decadência.
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