Publicado por: Blog do Trio | 15/01/2012

Merece?

Nação Palestrina,

Bem-vindos a 2012! E antes de abordarmos os principais assuntos que estão agitando o ano que mal acaba de começar, venho publicar polêmico texto de nosso assíduo leitor Fábio Dean que, de forma quase que científica, defende a tese de que o nosso São Marcos não merece se juntar aos demais heróis palestrinos que foram homenageados com um busto no Palestra Itália.

E você, o que acha?

 

Alguns argumentos contrários a um busto para São Marcos

Antes de iniciar o desenvolvimento da minha tese de que o ídolo Marcos não é merecedor da honraria, creio que seja pertinente uma apresentação dos requisitos necessários para a homenagem com um busto de bronze nas alamedas do Palestra Itália:

1) Dedicação exclusiva à Sociedade Esportiva Palmeiras na sua carreira profissional: Basicamente, em outras palavras, não ter defendido outro clube como jogador de futebol profissional.

2) Ter sido um craque em acepção pura da palavra.

3) Ter conquistado inúmeros ou muitos títulos pelo clube.

Proponho um debate sério e franco, com base em argumentos que me pareçam racionais, a fim de que a parcela da comunidade palmeirense que tiver acesso a este escrito possa discutir e deliberar como melhor lhe aprouver. Além disso, em nenhum momento tentaria ferir a integridade deste jogador e ser humano, símbolo de simpatia e respeito de todos os nossos rivais e adversários (facilmente constatável pela homenagem constante no próprio site oficial do Sport Club Corinthians Paulista, nosso maior rival).

Porém, ressalto, apenas apontarei as razões pelas quais acredito que São Marcos não deva ser homenageado e, se for o caso, ficaria muito satisfeito com a chegada de argumentos que tentem rebater a minha tese.

Requisito 1

Honestamente, é o único requisito que considero preenchido pelo nosso grande goleiro. Fácil de ser constatado e impossível de ser rebatido, uma vez que se trata de simples encaixe no mundo concreto (o goleiro nunca jogou profissionalmente por outro clube).

Requisito 2

A discussão fica centrada na definição correta de craque. Algo que se tenta definir adequadamente desde a chegada do futebol em terras brasileiras e ainda não imune de refutações, a locução “craque” é carregada de conceitos díspares.

De início, aponto singelamente que o nosso grande goleiro não é um craque, uma vez que, em seus quase vinte anos como jogador, foi reserva absoluto em sete deles.

Além disso, nos doze anos restantes, lembro-me de várias belíssimas atuações (as sempre lembradas contra nosso maior rival em jogos válidos pelas Taças Libertadores de 1999 e 2000 e contra o Sport Club do Recife no jogo de volta em 2008), mas também de diversos momentos ridículos e lamentáveis, dentre os quais vêm à mente agora o frango na decisão da Copa Toyota em 1999, a furada grotesca na derrota por sete gols contra o Esporte Clube Vitória em 2003, a participação efetiva na campanha que resultou no rebaixamento em 2002 e as patéticas tentativas de cabecear a bola em lances de escanteio num jogo decisivo contra o Grêmio Football Porto Alegrense em partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2008.

Em complemento, nesses doze anos de titularidade, atuou em forma admirável apenas em 1999, 2000 e 2008, ou seja, em meros três anos,. Porém, mesmo em 2000, Marcos não participou da conquista da Copa dos Campeões, tanto que Sérgio foi o titular e Gilvan o suplente.

Nos outros nove anos, sofreu com diversas lesões, um vexaminoso rebaixamento (que não há como se dizer que não mancha a passagem de todos, independente de serem mais ou menos culpados), várias atuações abaixo de qualquer crítica, muitas polêmicas com frases destemperadas etc. Portanto, simplesmente não consigo vê-lo como craque, mas apenas como um ótimo jogador que teve (alguns? poucos?) momentos brilhantes na carreira.

Requisito 3

Terreno mais fácil de ser discutido e comparado com outros grandes nomes da História do nosso clube. Segundo informações retiradas do site oficial da Sociedade Esportiva Palmeiras, São Marcos tem os seguintes títulos no seu currículo (no total, 17, sendo que o da segunda divisão sequer deveria ser computado): Campeonato Brasileiro 1993 e 1994, Torneio Rio-São Paulo 1993 e 2000, Campeonato Paulista 1993, 1994, 1996 e 2008, Copa Mercosul 1998, Copa do Brasil 1998, Copa Libertadores da América 1999, Copa dos Campeões 2000 e Campeonato Brasileiro Série B 2003; Torneio Lev Yashin (Rússia) 1994, Copa Euro-América 1996, Taça Governador de Goiás 1997, Torneio Maria Quitéria 1997, Troféu Naranja (Espanha) 1997.

Em 1993 e 1994, os goleiros foram Sérgio, Velloso e Gato Fernandéz, tanto que Marcos não participou de uma partida sequer nesse período, razão pela qual não aceito no seu currículo seis das conquistas apontadas (marcos foi, na melhor das hipóteses, terceiro goleiro durante esse período). Além disso, como já exposto acima, também não participou da Copa dos Campeões.

De fato, como reserva absoluto da posição (para Velloso), conquistou sete títulos, restando-lhe apenas os títulos da Libertadores da América de 1999 (no qual foi tranquilamente o melhor jogador da competição), o do Torneio Rio-São Paulo de 2000, o do Campeonato Paulista de 2008 e o ridículo título de campeão da segunda divisão que, sinceramente, ressalto, não deve ser computado como conquista.

Concluindo, dez títulos, sete deles como reserva incondicional. Logicamente, o título da Copa do Mundo de 2002 não está nesta pauta porque se discute aqui um reconhecimento a ser feito pelo clube e não pela Confederação Brasileira de Futebol (do contrário, para citar os que vêm à memória nesse momento, Mazzolla – 1958 -, Vavá e Djalma Santos – 1962 -, Zinho e Mazinho – 1994 – também deveriam ter o seu busto no clube; em 1970, Leão e Baldocchi estavam no grupo dos convocados, mas não jogaram partidas).

Argumentos diversos tirados a partir de notícia veiculada oficialmente

Consta do site oficial que “(E)m 20 de janeiro de 2003, recusa proposta milionária do Arsenal-ING e fica para reconduzir o Palmeiras à elite do futebol nacional”. Sinceramente, vejo com imensa dificuldade como isso pode ser um dos argumentos pró-busto. Como eu, se outros dos diversos milhões de palmeirenses espalhados por aí ganhássemos dezenas de milhares de reais por mês para treinar e defender o nosso clube, tenho certeza que a imensa maioria também recusaria a oferta. Além disso, a resistência a tal assédio como argumento me parece um reconhecimento de pequenez da nossa instituição frente a um clube muito menos importante.

Outro número interessante retirado do site oficial é o de que São Marcos é o jogador “que mais atuou no estádio Palestra Itália, em 211 partidas (Ademir da Guia é o segundo, com 184)”. Porém, seria de muito maior utilidade e glória se tivesse o maior número de títulos no Palestra.

Minhas conclusões e comparações com os outros três homenageados com o busto

Para reforçar a minha tese de que o Santo não merece um busto, parece-me interessante uma comparação (mesmo que sucinta) com os outros três, que traço a seguir:

1) Junqueira: O deus da raça alviverde, capitão do time por aproximadamente quinze anos e membro da “melhor dupla de zaga de todos os tempos”, como consta de noticiários da imprensa da época (eternizada na letra do hino “defesa que ninguém passa” e tida como melhor dupla de zaga da primeira metade do século passado). No seu período, o Palmeiras era o clube mais popular, rico, vencedor e organizado de todo o país. Junqueira conquistou 96 títulos pelo Palestra / Palmeiras, dentre os quais se destacam os três de campeão brasileiro, os sete regionais e os oito campeonatos paulistas.

2) Waldemar Fiúme: Ao contrário da minha dificuldade em definir São Marcos como craque, creio que essa palavra caia como uma luva para este jogador, popularmente conhecido como “O pai da bola” e tido pela imprensa da época e por todos os que acompanhavam o esporte bretão como (incontestavelmente) o melhor jogador do país, que esteve no Palmeiras entre 1941 e 1958. Conquistou 65 títulos pelo Palestra / Palmeiras, dentre os quais se destacam o título mundial de 1951, os dois de campeão brasileiro, os quatro regionais e os oito estaduais. No seu período, conquistamos os títulos de campeoníssimo do futebol brasileiro (nessa fase também com Junqueira) e de campeão das cinco coroas.

3) Ademir da Guia: O “divino” é (tranqüila e pacificamente) um dos maiores jogadores da história palestrina, tendo comandado as duas academias em 46 títulos, dentre os quais se destacam os cinco títulos de campeão brasileiro, os sete títulos estaduais e regionais, além das 15 conquistas internacionais abocanhadas durante esse período.

Portanto, os três homenageados são craques absolutos que defenderam (respectivamente líder da melhor dupla de zaga de que se teve notícia à época, pai da bola e divino pela sua qualidade técnica magistral) e conquistaram inúmeras glórias para a agremiação, levando o Palmeiras (claro que não sozinhos, mas com papel preponderante) ao título de Campeão do Século XX.

Por seu turno, nosso santo representa exatamente o oposto dos três craques acima apontados ao atuar num período de secas de títulos e de apequenamento gradativo da instituição, lembrando a todos que a homenagem também deve fazer menção a um período de glórias que não tivemos nas honrosas mãos do nosso santo.

Como não há obrigatoriedade de se proceder a esta homenagem sem relevantes motivos, melhor seria a comunidade palestrina aguardar o surgimento de um novo período de glórias e de um representante que cubra os requisitos apontados para conceder tal honraria. Até lá, o clube fica melhor servido em sua História sem a mácula de ter entre os seus imortais um simples bom jogador, até em respeito à História dos homenageados.

 

guilherme.mendes@blogdotrio.com.br

twitter.com/guirmmendes

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Responses

  1. Tá certo.

    Adriano Romao Lopes


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