Publicado por: Blog do Trio | 08/10/2011

Quem tem medo da transparência?

Nação Corinthiana,

O torcedor mais atento tem acompanhado, nos últimos dias, inúmeras declarações de conselheiros corinthianos questionando os valores da construção do estádio do Timão, mostrando interesse de analisar as nuances do contrato assinado e fiscalizar a obra em andamento.

Tal situação se agravou após as declarações do presidente Andrés Sanchez, em recente entrevista à Revista Época, de que a construção da arena iria custar cerca de R$ 1 bilhão.

- Quem fez o estádio fui eu e o Lula. Garanto que vai custar mais de R$ 1 bilhão e vou pagar 780 (milhões). Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht. (Crédito: Revista Época)

Ocorre que, meses atrás, o projeto foi apresentado ao Conselho Deliberativo com o valor de R$ 335 milhões. Conforme restou registrado na ata da reunião, os dirigentes do clube informaram repetidas vezes que o preço da obra era fixo e seria bancada pela venda dos ditos “naming rights”.

Naquela ocasião foi assegurado pela diretoria que o estádio sairia de graça para o Corinthians, sem causar qualquer prejuízo aos cofres do Parque São Jorge – razão pela qual o projeto foi aprovado.

Assim, tendo em vista a discrepância entre as informações prestadas junto ao Conselho e o contrato posteriormente assinado com a Odebrecht, fica a dúvida: quem vai pagar a conta?

Diante de um iminente aumento sem precedentes da já gigantesca dívida do clube, é plenamente justificável que conselheiros do Timão – exercendo os poderes e as responsabilidades previstas no Estatuto – questionem a direção a respeito dos detalhes do contrato assinado.

Ocorre que, ao contrário de atender a legítima solicitação dos conselheiros, a direção do clube se esquiva de prestar esclarecimentos a quem quer que seja. Mais do que isso, utiliza meios de intimidação ou realiza manobras para jogar a torcida contra quem tem o dever de fiscalizar a obra.

Sobre o assunto, Carlos Senger, presidente do Conselho Deliberativo, divulgou uma nota, publicada pelo portal do Estadão:

NOTA OFICIAL

Todos os corinthianos sonham, desde a fundação do clube, com o estádio próprio e agora este sonho está se concretizando.

Os conselheiros do SC Corinthians Paulista, mais do que ninguém, estão até mesmo emocionados com esta empreitada.

Portanto, nenhum corinthiano autêntico sequer cogita a possibilidade de não irmos em frente com esta obra.

Mas, igualmente, os conselheiros, interpretando o sentimento de toda a nação corinthiana, querem obter informações básicas sobre o empreendimento.

Não é por mera curiosidade. Os conselheiros têm não só o direito, como o dever desconhecer em todas as minúcias o tipo de operação que o clube está fazendo.

Qual é o valor exato da obra? Como ela será paga? O que cabe ao Corinthians como encargo ou obrigação? Ou seja: dados mínimos para que se conheça em que base o negócio está sendo realizado.

Por isso, não se compreende a reação intempestiva do atual presidente do clube, Andrés  Sanchez, ao anunciar através de seus assessores que, caso persistam as indagações a respeito da operação-estádio, ele determinará a paralização das obras e dirá à torcida para cobrar deste ou daquele conselheiro a responsabilidade pela suspensão dos trabalhos.

Presidente, o porquê desta atitude, quando estamos irmanados no mesmo ideal? O que seria: Intimidação? Ameaça? Tudo tão desnecessário, pois o momento exige uma união de forças.

Desde quando um conselheiro pedir esclarecimentos diante do maior evento econômico-financeiro-patrimonial do clube merece este tipo de resposta?

É preciso que o presidente Sanchez entenda que uma de suas obrigações estatutárias é justamente prestar informações ao Conselho Deliberativo sobre o que lhe é arguído.

Ainda mais em se tratando de tema de tamanha importância.

As negociações com a empresa empreiteira Odebrecht e o Corinthians têm, necessariamente, que ser as mais cristalinas possíveis. O contrato a respeito não pode ser uma Caixa Preta.

Impõe-se, ao contrário, que o seu conteúdo integral seja entregue formalmente ao Conselho Deliberativo como, aliás, prevê o artigo 140 do Estatuto, e mais do que isso, como se espera de uma administração que não tenha qualquer receio de revelar seus atos e espera que os  mesmos sejam ratificados por este egrégio orgão, por sinal, soberano na agremiação.

Não nos esqueçamos que atual administração vive os últimos meses de seu mandato e repassará, necessariamente direitos e deveres sobre o estádio para uma nova diretoria. Este seria ainda mais um motivo para que não pairassem dúvidas sobre o que está contratado.

Este Conselho Deliberativo, senhor presidente, dará, sim, total amparo às arguições de seus membros a respeito de tão relevante tema. E espera sinceramente, que o senhor aceite, democraticamente, as colocações dos conselheiros que querem apenas ficar a par das tratativas já feitas e por serem concretizadas.

Afinal, é do seu próprio interesse que tudo seja esclarecido e tornado de conhecimento geral.

Como corinthiano bem mais antigo que o senhor, presidente, até mesmo por uma questão de idade, experiente por ter exercido duas presidências do Conselho Deliberativo, posso lhe assegurar que não reaja de maneira  intimidativa àqueles que querem apenas tomar conhecimento dos assuntos relativos ao evento.

Pessoalmente, levo a sua reflexão a máxima de Santo Agostinho, válida para todos nós dirigentes:

Prefiro aqueles que me criticam, porque me corrigem. Do aqueles que me adulam, porque me corrompem. 

Carlos Senger

Conselho Deliberativo

Presidente

Já Romeu Tuma Júnior vai além.

Em entrevista concedida à Carta Capital, o conselheiro e ex-Secretário Nacional de Justiça relatou sobre práticas de intimidação da diretoria corinthiana sobre conselheiros, afirmando que a situação atual do clube é pior do que na época da parceira com a MSI – da qual foi um ferrenho opositor.

- No Corinthians não existe transparência. Ninguém sabe o que está por trás dessas obras, quem está colocando o dinheiro. O mandato dele (Andres Sanchez) vai acabar e a conta vai ficar. Aí ele diz que vai colocar a torcida contra mim. (...) O presidente Lula está se deixando usar por esse grupo. Precisa abrir o olho com esses caras. Em nome dele, estão fazendo muita coisa. Não podem usar o nome dele. A gente não sabe o que está acontecendo. Mas isso pode ainda ficar mal para o Lula.

Ainda na citada reportagem, a assessoria de imprensa de Andrés Sanchez informou que a documentação referente à construção do estádio está à disposição de todos os conselheiros. Entretanto, na prática, a atitude da diretoria é diametralmente oposta.

Como salientou Senger em sua nota, todos os setores do clube apoiam e lutam em prol da construção do estádio do Corinthians. Mas é preciso esclarecer determinados pontos, para evitar que a empreitada não deixe um enorme legado financeiro negativo, ocasionando o colapso das contas do Timão.

Então, onde está a tão aludida (e jamais alcançada) transparência?

fabio.sallum@blogdotrio.com.br

http://twitter.com/FabioSallum

http://www.formspring.me/FabioSallum

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Responses

  1. É, Fabio… agora dá pra ver quem é o verdadeiro abutre.

    Parabéns pelo texto!

    Abs!

    Fábio Sallum: Waldemar, a expressão “abutre” foi criada para identificar setores da imprensa que usam notícias negativas contra o Corinthians para vender jornal ou utilizam seus meios para mostrar o clube de maneira depreciativa.

    Ocorre que alguns malandros resolveram utilizar isso para colocar no mesmo balaio corinthianos que fiscalizam e/ou criticam determinadas atitudes de dirigentes, usando o estádio como escopo – o que é uma mera manobra política.

    Tendo em vista que o abutre é uma ave de rapina, entendo que este conceito deve ser aplicado àqueles que se aproveitam vorazmente do Corinthians.

    Aí cabe a você dar nome aos bois. Ou, no caso, aos abutres.

    Abraços!

  2. Fabio, para seu conhecimento e esclarecimento o termo Abutre foi criado por alguem que está bem distante de ser uma ave de rapina ou malandro, como voce rotulou, o Filipe Anarcorinthians.

    E eu, particularmente, passei a utilizar este termo sim, para todos aqueles que denigrem diariamente o Corinthians

    Como acredito que voce nao tenha utilizado as entrelinhas direcionadas ao Filipe, acho que neste caso, cabe a voce dar nome aos bois ou no caso, aos abutres.

    Abraço

    Fábio Sallum: Silvinho, se você leu bem meu comentário, vai entender que eu não falei do Filipe, o qual tem um belo trabalho e é um corinthiano como poucos.

    Eu mesmo já utilizei o termo “abutre” para me referir a parcela da imprensa que utiliza notícias negativas do Corinthians para vender jornal ou dar ibope, sem se incomodar se isso conturba o ambiente no clube.

    O Filipe, por quem tenho uma grande admiração pelo seu conhecimento histórico e pela devoção ao nosso escudo, foi muito feliz ao utilizar ao criar este termo.

    Mas vejo que a alcunha criada oportunamente por ele tem sido empregada de formas diferentes da original, colocando aqueles que criticam ou se opõem à atual gestão do Timão no mesmo balaio de anticorinthianos e jornalistas inescrupulosos.

    Atitudes assim, além de irresponsáveis, são perigosas por causarem distorções da realidade, muitas vezes desconhecida pelas pessoas que não frequentam o Parque São Jorge ou que não conhecem os meandros da política do clube.

    Especificamente em relação ao texto, está claro que as “aves de rapina” são aqueles que, por motivos escusos, se negam a apresentar o contrato do estádio, bem como esclarecimentos sobre detalhes financeiros da obra, desrespeitando o Estatuto do clube.

    Mais do que isso, são aqueles que, por medo da transparência, respondem com intimidação ou ameaças a conselheiros, associados e torcedores que demonstram interesse legítimo em ter informações concretas sobre a empreitada.

    Acho que me fiz mais do que claro, certo?

    Abraços!

  3. Fabio,

    Leia o post e os comentários no no blog do Silbinho – http://blogdosilvinho.wordpress.com/2011/10/07/alerta-abutres-tentando-desestabilizar-o-ambiente/#comments, que você entenderá o que ele quis dizer…

    What a shame!!

    Fábio Sallum: Ednei, eu não me referi especificamente a determinado texto quando respondi o primeiro comentário do Blog.

    Apenas atentei para certas distorções que vejo usualmente espalhadas por aí.

    O mais importante aqui é a devida fiscalização de uma obra de tamanha magnitude, a qual vem sendo impedida por motivos desconhecidos.

    Abraços!

  4. Conheça a primeira edição da REVISTA JOGO LIMPO! Acesse: jogolimpo.com/revista

    Curta a página da Rádio Estação Palestra no Facebook. Acesse: http://www.facebook.com/pages/Esta%C3%A7%C3%A3o-Palestra/159391827406907

  5. O “CORINTHIANS” É MAIOR QUE TUDO ISSO ,O QUAL VAI BEM NÃO É POR “CAUSA” DE SUA POLITICA ADMINISTRATIVA , PORÉM, “APESAR” DEÇA…!!!

  6. O “CORINTHIANS” É MAIOR QUE TUDO ISSO ,O QUAL VAI BEM NÃO É POR “CAUSA” DE SUA POLÍTICA ADMINISTRATIVA , PORÉM, “APESAR” DELA…!!!

    Fábio Sallum: Exatamente, Gabriel!

    Abraços!

  7. Fábião, mas e ai? desrespeitam o Estatuto e o q acontece?
    os conselheiros não podem fazer nada a respeito, excluíndo essas notinhas oficiais q não levam a nada?
    Parabéns pelo post…
    abraços
    vai Corinthians!!!!!!!!

    Fábio Sallum: Wagnão, os conselheiros podem interpor ações, solicitando a exibição de documentos nos autos ou perante o Conselho Deliberativo, convocada por medida judicial.

    Obrigado pelas palavras!

    Abraços!

  8. […] publicado aqui anteriormente, conselheiros do Corinthians, capitaneados pelo presidente do Conselho Deliberativo, […]


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