Publicado por: Blog do Trio | 28/07/2011

Chegou a hora dos figurões da bola?

Acima: Ricardo Teixeira e Joseph Blatter. Abaixo: Julio Grondona e Mohammed Bin Hammam.

Amigos do Blog do Trio,

O futebol mundial possui determinada classe de dirigentes com tamanho poder no esporte – e, consequentemente, fora dele – que são considerados inatingíveis.

Porém, nos últimos meses, temos acompanhado a opinião pública mudar sua postura em relação às desenfreadas atitudes destes cartolas, sobretudo em função de denúncias de pagamento de propinas, favorecimento pessoal, conflito de interesses e má gestão.

Recentemente foi divulgada na imprensa uma lista de cerca de US$ 100 milhões de dólares em propinas pagas pela falida empresa de marketing esportivo International Sports Leisure (ISL), na década de 1990, a membros do alto escalão da FIFA.

Verificou-se que dirigentes como o paraguaio Nicolas Léoz (presidente da Conmebol), o camaronês Issa Hayatou (presidente da Confederação Africana de Futebol), além dos brasileiros João Havelange (presidente de honra da FIFA) e Ricardo Teixeira.

Além de presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Teixeira é também quem comanda o COL (Comitê Organizador Local) da Copa do Mundo de 2014, o que tem gerado bastante controvérsia. Em resumo, é a suprema autoridade do futebol brasileiro.

Não obstante as recorrentes investigações envolvendo Teixeira, vez ou outra arquivadas, uma reportagem da revista Piauí desnudou o dirigente, mostrando um pedaço de sua intimidade com o poder e do seu desdém por seus opositores.

Trazido novamente aos holofotes da imprensa – lugar que não ocupava desde a finada CPI de 2001 -, o mandatário da CBF sofreu uma derrota política nesta semana, ao ver seu desafeto Pelé ser nomeado pela presidente Dilma Roussef como “Embaixador do Brasil para a Copa do Mundo de 2014”.

Na prática, Pelé foi eleito para ser o representante do país no Mundial e, ainda, o interlocutor brasileiro junto à FIFA. Na prática, pouca coisa muda. Politicamente, serviu para Dilma mostrar a Teixeira que a Copa do Mundo não é só dele.

Não bastasse isso, milhares de brasileiros resolveram se manifestar pelo Twitter, utilizando-se da hashtag #foraricardoteixeira. Em função de um problema técnico, o termo não apareceu nos Trending Topics da rede social, o que motivou outras expressões como #caiforaricardoteixeira, #adeusrt e #foraoficial.

Obviamente, ninguém espera que este tipo de manifestação, por si só, provoque a saída de Ricardo Teixeira da Confederação Brasileira de Futebol. Entretanto, o Twitter – que é um fenômeno novo ainda estudado por sociólogos e publicitários – serve como medidor de comportamento de parcela importante da população.

E, apesar de ser incapaz de gerar mudanças, o Twitter se mostrou uma ferramenta poderosa para mobilização social. No caso específico de Teixeira, estão sendo organizadas passeatas nas principais vias de São Paulo e do Rio de Janeiro pela Frente Nacional dos Torcedores.

Na vizinha Argentina, verifica-se a ocorrência de situação semelhante. Com ampla divulgação nos meios de comunicação – sobretudo em anúncios na televisão -, ganha cada vez mais força a campanha #chaugrondona.

A campanha clama pela saída de Julio Grondona da presidência da Associação do Futebol Argentino (AFA), posto que ocupa desde 1979. Ao dirigente, que também ocupa a vice-presidência da FIFA, são imputadas diversas irregularidades, além dos sucessivos fracassos da Seleção e da derrocada do futebol argentino como um todo.

A última controvérsia de Grondona foi a mudança no sistema de disputa do campeonato nacional, fundindo a primeira e a segunda divisão num torneio único de 40 equipes. A absurda decisão visa claramente fazer com que o tradicional River Plate, recém-rebaixado, possa voltar a jogar com os clubes da elite.

Já foram realizados alguns protestos contra o presidente da AFA nas ruas de Buenos Aires, mas estão previstas novas manifestações em função da injustificada mudança no campeonato argentino.

Será que dirigentes como Ricardo Teixeira e Julio Grondona podem ser destituídos de seus cargos e, quem sabe, abandonar o futebol?

É difícil dizer, mas como diz o lema de um dos principais patrocinadores da FIFA e precursor, pelo bem e pelo mal, do futebol moderno, nada é impossível.

Mohammed Bin Hammam que o diga. O qatariano era presidente da Confederação Asiática de Futebol e foi o principal articulador da candidatura que transformou seu país em sede da Copa do Mundo de 2022.

Mais do que isso, Bin Hammam foi um dos principais financiadores das eleições de Joseph Blatter para a presidência da FIFA em 1998 e 2002 e, assim como Teixeira e Grondona, membro do Comitê Executivo da entidade.

Assim como Sepp Blatter tentara fazer com João Havelange em 1994, Bin Hammam surgiu como opção para barrar o continuísmo do atual mandatário. Mas, se Blatter tentou derrubar Havelange na surdina e foi perdoado, o qatariano engrenou uma campanha efetiva e se apresentou como opositor.

E, para isso, recorreu à tentativa de compra de votos de dirigentes – o que o levou a julgamento na Comissão de Ética da FIFA, tendo como resultado o inédito banimento do futebol.

Estaria o órgão máximo do futebol agindo com transparência? É claro que não, uma vez que a prática de compra de votos tem sido lamentavelmente uma prática comum nos últimos 35 anos.

Além disso, a mesma Comissão de Ética que baniu Hammam fechou os olhos para as denúncias de propinas pagas pela ISL a Hayatou, Léoz, Havelange e Teixeira, absolvendo-os. Assim como em relação a outros tantos casos de favorecimento já divulgados na imprensa.

O banimento de Hammam ocorreu por “traição” a Blatter, em prol da manutenção de um viciado sistema. Porém, deixou um importante precedente aberto.

Precedente este que deve ser explorado para trazer ética e profissionalismo ao futebol mundial, algo que se faz tão necessário nos dias atuais.

Pelo bem do jogo, como diz o lema da FIFA, é necessário deixar a conivência de lado em relação aos excessivos desmandos dos figurões do futebol.

E fazer com que nossos dirigentes pratiquem o verdadeiro “fair play“.

fabiosallum.blogdotrio@gmail.com

http://twitter.com/FabioSallum

http://www.formspring.me/FabioSallum

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Responses

  1. Engraçado, um corintiano falando mal do Ricardo Teixeira quando todo mundo sabe que o presidente do Corinthians tem o rabo preso com o mandatário do futebol brasileiro. E nem uma menção a ele…

    Fábio Sallum: Quer dizer que, por ser corinthiano, não posso me opor ao Ricardo Teixeira?

    Não sou um entusiasta do Andrés e vejo que essa ligação dele com o presidente da CBF promete render mais frutos pessoais do que efetivamente ao clube.

    Abraços!

  2. Torço por um clube que hitóricamente sempre esteve na oposição dessa gente.

  3. jair ———– São Paulo – O paladino da verdade!!!!!!

    eu não durmo nesse barulho…

    Fábião, vc acredita q vai mudar algo? desde quando o povo tem alguma força aqui no Brasil? o q falam q foi o povo q conseguiu, históricamente, foi sempre amparado por interesses de algumas pessoas com poder… se essas pessoas não tiverem interesse em mexer com os caras, o povo sozinho não muda nada…
    abraços
    Vai Corinthians!!!!!!!!!!!!

    Fábio Sallum: Wagner, o povo tem um poder maior do que imagina.

    O problema é a dificuldade – ou falta de interesse – de se mobilizar.

    Tanto que até a Globo.com foi obrigada a noticiar o protesto contra Ricardo Teixeira, mesmo que ao seu modo.

    Abraços!


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