Publicado por: Blog do Trio | 05/05/2011

Transferências

Nação Palestrina,

Todos temos acompanhado as notícias, apenas para nos fixarmos nos casos do momento, que envolvem as comentadas transferências para o exterior dos jogadores Neymar e de Ganso.

 Neste tema – transferências de jogadores do Brasil para o exterior – cremos que todas as partes envolvidas – CBF, clubes, jogadores e respectivos empresários – têm uma parcela de razão e outra de muita culpa.

 A CBF, se por um lado, nas últimas décadas conseguiu alçar o valor mercadológico da Seleção Brasileira ao mesmo nível das seleções européias, por outro, somente se preocupa em enriquecer e angariar polpudos contratos à custa do escrete nacional e, por via de consequência, dos seus jogadores, sem se preocupar com a qualidade técnica dos campeonatos nacionais e com o notório sucateamento de todos os clubes do país.

 Jamais contribuiu, também, para o aprimoramento da qualidade do futebol brasileiro, visto que não observa em suas decisões critérios puramente técnicos mas, sim, políticos.

 Somente a nefasta política pode explicar as indicações de técnicos como Cláudio Coutinho, Lazzaroni, Falcão, Leão, Dunga e até mesmo de Zagallo e de Parreira em algumas situações – para dirigirem a seleção nacional.

 A maioria dos técnicos guindados ao mais elevado posto do futebol brasileiro não tem uma folha de serviços prestados e de conquistas que justifiquem sua contratação e os resultados decorrentes de tal política, infelizmente, todos conhecemos.

 Diga-se o mesmo em relação às seleções de base que, salvo raríssimas exceções, são entregues a profissionais que também não apresentam lastro para o exercício da função.

 Os clubes, se por um lado padecem da ação nefasta de empresários e de uma legislação que, no nosso entender, não lhes assegura suficientemente direitos em relação às suas escassas revelações, por outro, jamais investiram de forma correta na formação de seus jogadores.

 A falta de investimento na formação de seus jogadores, infelizmente, não se refere apenas aos aspectos técnicos e táticos.

 São muito comuns as queixas dos treinadores das equipes principais em relação aos jogadores recém promovidos da base no sentido de apresentarem gritantes falhas em relação aos fundamentos do futebol – colocação, cabeceios, arremates etc – o que faz com que inúmeras promessas sucumbam pelo caminho.

 Mas o pior é a falha na formação dos atletas enquanto seres humanos e futuros profissionais.

 Alojamentos precários, apadrinhamento político, ajuda de custo irrisória, alimentação deficiente, falta de acompanhamento escolar, familiar e psicológico são apenas algumas das causas que determinam a falência do modelo atual quando apenas um ou dois jogadores oriundos da base em meio a centenas deles conseguem atingir o objetivo inicialmente traçado.

 Tal quadro é terreno fértil para a ação de atravessadores de toda sorte e para empresários inescrupulosos que, valendo-se da miséria e da ignorância das famílias dos garotos, obtêm para si vantagens e rendimentos que jamais aufeririam em qualquer outra atividade profissional em detrimento do próprio jogador e dos clubes que, ao menos, ainda que precariamente, revelam os futuros craques.

 Destaque, ainda, apesar de negativo, merece a atuação dos dirigentes de nossos clubes que, em sua imensa maioria, a despeito de totalmente despreparados para as funções que se propõem, valem-se dos clubes para enriquecimento e obtenção de prestígio pessoais.

 Os jogadores, por seu turno, embora sejam os artífices de todo o universo chamado futebol e sem os quais o espetáculo não existiria, também têm sua parcela de culpa na situação reinante.

 Tão logo atingem um mínimo de destaque nos clubes e a despeito de, na maioria das vezes, possuírem contrato em vigor, começam a forçar sua venda para o exterior.

 Para tanto, mal orientados na maioria das vezes, passam a adotar atitudes e procedimentos que são condenados na Europa, justamente pelo mercado futebolístico que almejam atingir.

 Dentro de tal quadro as ausências e faltas aos treinos, as contusões misteriosas, o corpo mole durante os jogos, os cartões e expulsões injustificáveis, festas e baladas de toda sorte, culminando com entrevistas dúbias e contraditórias de seus empresários, passam a ser atitudes constantes.

 Tais manobras, muito embora possam criar determinadas situações que de imediato possam representar um benefício para o atleta, a médio e longo prazos representam um enorme prejuízo para sua imagem e carreira, com reflexos negativos tanto para si quanto para seus clubes.

 O prejuízo imediato é a venda do jogador para o exterior por preços irrisórios e sua colocação em equipes de segundo escalão.

 Nas últimas décadas raríssimos foram aos casos de jogadores brasileiros que foram vendidos por seus clubes diretamente para uma agremiação européia de primeira grandeza.

 Na imensa maioria das vezes são negociados com clubes de menor expressão de países como Portugal, Espanha, França e Alemanha ou, então, são vendidos para clubes de países sem nenhuma tradição no concerto mundial do futebol, casos específicos do continente asiático, dos países do mundo árabe e das ex-colônias soviéticas.

 Nesse cenário ou o atleta vendido se destaca mundialmente – raros casos – e, aí sim, é vendido para um grande clube pelos preços praticados na Europa – ou acaba por sucumbir na mediocridade local e permanece esquecido por anos a fio nesses verdadeiros cemitérios do futebol até serem repatriados pelos clubes brasileiros tendo de reiniciar suas carreiras partindo de patamares inferiores àqueles ocupados quando de sua partida.

 Em ambas as hipóteses os prejuízos, tanto para o atleta, quanto para seu clube, são evidentes.

 Os empresários, na maioria das vezes, e com raríssimas exceções, valendo-se de métodos pouco ortodoxos, são apenas uma das engrenagens – pequenas – que movimentam as transações no mundo do futebol.

 Valendo-se da ignorância e da parca condição econômica da imensa maioria das famílias dos jovens que buscam firmar-se na carreira de jogador de futebol, referidos profissionais mediante emancipações prematuras e procurações leoninas apoderam-se dos futuros direitos federativos dos atletas e de sua incipiente carreira.

 Não somos contrários a que qualquer profissional, inclusive os atletas de futebol, procurem cercar-se de especialistas que posam auxiliá-los no gerenciamento das respectivas carreiras o que nos preocupa, apenas, é forma pela qual a atuação dos referidos profissionais vem se desenvolvendo e que conta com o beneplácito explícito dos próprios clubes.

 Finalizando, cumpre-nos destacar, ainda, que os chamados empresários dentro de todo o contexto que envolve o mundo do futebol são os únicos profissionais que não contribuem, de forma alguma, com a formação do atleta limitando-se, juntamente com diretores dos próprios clubes, a intermediarem vultosas transações comerciais.

 Cremos, sinceramente, que se todo o processo envolvendo a formação e as futuras transferências dos atletas não vier a ser revisto, de modo a salvaguardar tanto o próprio jogador, quanto o clube formador, dias mais sombrios que os atuais virão para o mundo do futebol especialmente para países exportadores de talentos como o caso específico do Brasil.

 

guilherme.mendes@blogdotrio.com.br

http://twitter.com/guirmmendes

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Responses

  1. E torcerdor do Guarani da capital,agradeça isso as leis Zico e Pele.
    “Cade eu nunca vi é tão pequeno que parece o Guarani”.

  2. Eu não queria ter que repetir isso,mas felismente seu time só me dá motivos:
    Tomar de 6 com vaga pra 10 foi bom demais.
    CADE EU NUNCA VI É TÃO PEQUENO QUE PARECE O GUARANI.

  3. E aí Suíno, cadê vc??? Só pq o time tomou um coco de 6 vc não aparece mais?? Não vai falar do jogo?? Só aparecer na hora boa, que ganha, é fácil… quero ver botar a cara quando perde…..
    covarde!


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