Publicado por: Blog do Trio | 15/03/2011

Manter e mudar!

Amigos do Trio,

Ontem Muricy Ramalho deu algumas entrevistas para explicar a sua saída do Fluminense.

Acompanhei a conversa com o canal Sportv e com a rádio Energia 97.

Fiquei espantado (e feliz!) com a forma clara e direta com que Muricy abordou o tema em discussão.

Principalmente na entrevista dada à rádio paulistana, o ex-treinador tricolor mostrou seu descontentamento com a quebra do acordo feito com a Diretoria do Fluminense e, por essa razão, resolveu sair.

Essa seria mais uma história de desentendimento entre técnico e direção, se não fosse por uma peculiaridade.

Há menos de 1 ano, mais precisamente há 7 meses, Muricy rejeitou a Seleção Brasileira para permanecer no comando do Flu e, posteriormente, vencer o Campeonato Brasileiro.

Naquela ocasião, havia um acordo verbal entre o clube e o treinador, elo que o impossibilitou de assumir a Seleção.

Essa mesma palavra que o fez abrir mão do posto mais alto do futebol brasileiro foi posta de lado quando o assunto foi a reformulação do time das Laranjeiras.

Tal fato traz a tona a eterna discussão entre os limites que devem existir entre técnicos e clubes.

Antigamente era sempre o clube que dispensava o treinador, na maioria das vezes de forma abrupta e na calada da noite.

Com o passar dos tempos e com a mercantilização do esporte, a ruptura de contrato, antes exercida unilateralmente pelas equipes, passou a ser prática comum entre os técnicos.

Quem pagar mais leva.

Muricy sempre foi uma exceção a essa regra e por isso tem a minha incondicional admiração.

O forte lado ético não nos impede, contudo, de fazer uma avaliação da carreira do treinador que, em minha opinião, não passa o seu melhor momento.

Muito embora seja o atual Campeão Brasileiro, desde 2008, quando ganhou mais pela incompetência alheia do que por seus próprios méritos, Muricy não tem feito seus times jogarem um futebol convincente.

Como esquecer a perda do campeonato nacional de 2009 e a forma apertada com que conquistou o título de 2010 com o Flu.

Começou 2011 e nada mudou. O time carioca tem um desempenho abaixo da média no estadual e está praticamente fora da Taça Libertadores.

A insistência em fazer do cruzamento na área a melhor opção para as jogas de ataque está diminuindo a melhor exploração dos recursos técnicos dos elencos que comandou.

No São Paulo com Adriano, no Palmeiras com Vágner Love e no Fluminense com Fred e Washington, as jogadas ofensivas eram sempre as mesmas.

As equipes passaram a ser previsíveis e de fácil marcação.

Espero que Muricy mantenha o seu lado ético nas escolhas profissionais, mas repense algumas condutas no que diz respeito à forma de armar suas equipes.

O futebol brasileiro agradecerá duplamente.

guilherme.mendes@blogdotrio.com.br

http://twitter.com/guirmmendes

 

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Responses

  1. Mendão, já que você diz admirar tanto o Muricy por sua postura ética, eu lhe pergunto:

    O Vanderlei Luxemburgo, que você tanto admira e idolatra, também pode ser considerado ético?

  2. Caro Marco,

    Infelizmente, não. O Mestre Luxemburgo só pode ser admirado por seu saber técnico, já o lado ético….

    Abraços…………

    Guilherme Mendes.


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