Publicado por: Blog do Trio | 18/01/2011

Perigo!

Amigos do Trio,

Vendo a tabela do Paulistão, vi muita gente perguntando qual time era o tal do “Americana”. Alguns até perguntaram se tratava-se do Rio Branco, que por algum motivo havia mudado o nome para o da cidade.

Não, infelizmente não se tratava de nenhuma mudança de nome do tradicional clube de Americana. Este está lá, firme e forte, disputando a Série A-2 do Paulista, após ser rebaixado da A-1 no ano passado.

Esse tal de “Americana” que disputa o Paulistão é, na verdade, o antigo “Guaratinguetá”, que na segunda metade da década passada apareceu causando muita surpresa no Futebol Paulista.

O auge foi em 2008, quando o clube terminou a primeira fase do Paulista em primeiro lugar.

Depois disso, em 2009 ainda veio o concorrido e difícil acesso para a Série B do Brasileiro.

Até aí, tudo bem.

O problema é que o Guaratinguetá era um clube administrado por empresários.

E, assim como ocorreu com o antigo Grêmio Barueri, eles receberam uma “proposta” melhor, e o time mudou de cidade, instalando-se em Americana, cidade próxima a Campinas.

Ou seja, será mais um “clube” artificial, sem torcedores ou identificação com a cidade.

Digo mais um, pois hoje já temos aquela aberração (não consigo encontrar adjetivo melhor) que é o Grêmio Prudente, antigo Grêmio Barueri.

A questão é, a longo prazo qual a consequencia disso para o futebol brasileiro?

Clubes sem tradição, sem torcida, sem identificação com absolutamente nada.

Queremos o que, transformar o futebol em uma NBA, onde não existem clubes, mas sim franquias?

Não acho o melhor caminho.

E o que mais me amedronta, é que estes clubes fantasma estão prosperando no futebol brasileiro.

No Paraná tínhamos o tal do “J. Malucelli”, que depois virou “Corinthians Paranaense”. Já no Rio tínhamos o time do Zico, o CFZ, que após uma briga com a Federação local mudou-se para Brasília.

Mas é aqui no Estado de São Paulo que este tipo de clube fantasma se prolifera.

O caso mais famoso, claro, é o do Grêmio Barueri, clube que ascendeu meteoricamente no futebol Paulista e Brasileiro, chegando à Série A do Brasileirão.

No início do ano passado, após desentendimentos financeiros com a Prefeitura de Barueri, os empresários “donos” do clube resolveram transferi-lo para Presidente Prudente, cidade sem a mínima identificação com o clube.

Outro exemplo, como já citado é o próprio Guaratinguetá, que, pelos mesmos motivos, mudou-se para Americana.

Na Série A-2 temos o “Red Bull Brasil”, clube que “pertence” à famosa fabricante de energéticos e é sediado em Campinas. Trata-se de um clube 100% ligado à empresa, tanto que seu site oficial é hospedado na página principal da Red Bull internacional (http://redbulls.com/soccer/brasil/pt/home.html). Ou seja, mais que claro que o seu objetivo é atuar no mercado do futebol. O “clube” não tem a mínima identificação com a Cidade de Campinas, não tem torcedores, não tem tradição. É na verdade uma empresa dentro do futebol.

Outro exemplo, e que também disputa a A-2 do Paulista, é o PAEC, ou “Pão de Açúcar Esporte Clube”, ligado à rede de supermercados e sediado aqui na Capital (alguém por acaso já acordou no domingo cedo para ir ver jogo do PAEC?!).

Da mesma forma que o Red Bull, o único objetivo é formar novos jogadores, para futuramente negociá-los.

E não será surpresa nenhuma se um dos dois chegar à elite do Futebol Paulista no ano que vem.

Iguais a estes, mas ainda sem grande destaque no futebol profissional temos o Desportivo Brasil, time que pertence à Traffic e que no domingo despachou o Corinthians da Copa São Paulo.

Ou seja, os empresários, os grandes grupos que investem no futebol passaram a ver que ao invés de ter problemas com os clubes, com torcida, melhor é ter o seu próprio clube.

Agora a grande questão é, qual a conseqüência da existência destes “clubes fantasma” para o Futebol Brasileiro?

É um fato que precisa ser enfrentado e muito bem pensado, sob pena de tomarmos um perigoso caminho sem volta.

Aurélio Camargo

aurelio.camargo@blogdotrio.com.br

Siga-me no Twitter: http://twitter.com/aureliocamargo

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Responses

  1. E ai Aurélio, blz.
    Infelizmente ou felizmente, cada um tem uma visão, esse é o futebol moderno que temos hoje, paixão só for no dinheiro, que não é pouco….
    Pra não perder a ocasião, a FPF conseguiu piorar o que já era ruim, fazer um campeonato com 4º de finais é o mesmo que decretar que somente os times “grandes” podem ser campeões… uma pena…

    BLOG DO CLEBER SOARES
    http://www.clebersoares.blogspot.com

    Pois é Cléber…
    Fazer o que!
    E a FPF, podendo piorar, ela piora! Impressionante!
    E parabéns pela classificação do Flamengo na copinha! Vcs tem ali garotos promissores, que podem virar bons jogadores! Principalmente o goleiro, que pegou muito!
    abraços,
    Aurelio

  2. […] tem torcida, tradição ou nenhum comprometimento que não seja o lucro financeiro, como muito bem mostrado pelo Aurélio Camargo aqui no Blog do Trio, o Juventus sobrevive, e continua cativando o amor de seus […]

  3. Cara, parabéns pelo seu texto.
    Irretocável!
    Sou do tempo do futebol pela paixão…..
    É muito triste ver definhando equipes tão tradicionais do interior, como Inter de Limeira, América de Rio Preto, Comercial de Ribeirão Preto, XV de Piracicaca, Ferroviária de Araquara, enquanto isso tem esses times nojentos de empresários aparecendo aí….
    triste, triste!

    Opa, o Comercial não está definhando não!!! Dá-lhe Comercial, o maior time do interior de SP!!!
    Abs,
    Aurélio

  4. Aurélio:
    Lamentavelmente Você e outros “tradicionais” apreciadores do futebol não têm a menor idéia do que sejam clubes pertencentes a empresas. Vocês não conseguem sair dos chavões e não sabem o que estão dizendo. Alguns desses clubes (os sérios) têm projeto, planejamento estratégico e objetivos e metas a cumprir, bem diferente daquilo que ocorre com os chamados “times tradicionais”. Procure se informar melhor antes de destilar seu preconceito ignorante, infelizmente tão comum no meio futebolístico brasileiro. Abra sua cabeça e não se deixe influenciar por “profissionais” da imprensa que pensam que estão em 1920!!!

    Edson,
    A questão é que futebol não é apenas planejamento, dinheiro, etc.
    Futebol é movido pela paixão. E isso, empresas nunca terão.
    Sem paixão, o futebol perde toda sua graça.
    Abs,
    Aurelio


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