Publicado por: Blog do Trio | 10/11/2010

Malas e entregas.

Nação Corinthiana,

Ano após ano, a reta final do Campeonato Brasileiro provoca mais do que emoções aos torcedores.

Com a aproximação das últimas rodadas do torneio, a questão reside em saber qual é a motivação das equipes que se situam no meio da tabela e estão fora da disputa pelo título, por uma vaga na Libertadores de 2011 ou para manter-se na primeira divisão.

Em um mundo ideal, o simples fato de defender um clube da elite do futebol brasileiro, respeitando a torcida, a instituição e seus patrocinadores, seria fator suficiente para que um atleta entrasse em campo de maneira competitiva.

Porém, sabemos que a realidade é bem distante disso, criando certas aberrações.

Uma delas é a tal “mala branca”, que nada mais é do que uma quantia oferecida por um cartola a outro time a outro, como premiação por um resultado que seja matematicamente favorável à sua equipe.

Tal prática divide opiniões. Enquanto uns o entendem como um ato amoral, outros vêem a “mala branca” como mero incentivo financeiro a fim de estimular o anseio de vitória de uma equipe possivelmente desmotivada.

De outro lado temos a chamada “mala preta”, que é o recebimento de quantia com o fim de produzir resultado que seja desfavorável a si mesmo, privilegiando outra equipe.

Perder uma partida de maneira proposital, mediante premiação, é ato completamente imoral e vai contra princípio basilar do esporte: o de competir.

Das duas práticas citadas, a “mala branca” é a mais comum e, infelizmente por um desvio cultural, chega até a ser estimulada por setores da imprensa e da população, bem como aguardada com ansiedade por alguns jogadores.

Na opinião deste blogueiro, oferecer ou receber qualquer uma das “malas” é um ato condenável e apenas premia a mediocridade, visto que, em um campeonato por pontos corridos, cada equipe depende apenas de seus méritos para chegar ao título.

Há ainda uma terceira prática, produzida de maneira espontânea: o de perder propositalmente para prejudicar um rival que possua chances concretas de vencer o torneio, classificar-se para a Libertadores ou escapar do rebaixamento.

Atualmente, temos como exemplo o apelo conjunto realizado por torcedores do Palmeiras e do São Paulo para que ambas as equipes “entreguem” seus jogos para o Fluminense, oponente direto do rival Corinthians pelo título.

Apesar das tradicionais rivalidades, eu custo a acreditar que atletas de uma equipe grande poderiam se submeter a situação vexatória como essa apenas para satisfazer anseios mesquinhos.

Como exemplo que ilustra meu pensamento fica a vitória do São Paulo sobre o Juventus, no Campeonato Paulista de 2004, que salvou o Timão do rebaixamento naquele ano.

Porém, já pudemos presenciar exemplos de “entrega”, como no caso do Internacional diante do Goiás em 2007, prejudicando o Corinthians, que amargou o ano de 2008 na Série B do Brasileiro.

Da mesma forma, o Corinthians foi acusado de ter facilitado para o Flamengo em partida disputada no final de 2009, a fim de atrapalhar os rivais São Paulo e Palmeiras na luta pelo título nacional – fato que os jogadores do Timão sempre negaram.

Em relação ao São Paulo, acredito que a equipe do Jardim Leonor dificilmente fará “corpo mole” na partida contra o Fluminense, visto que as chances de classificar-se à Libertadores, apesar de remotas, são possíveis.

No tocante ao Palmeiras, a palavra de ordem é privilegiar a Copa Sul-Americana e jogar com a equipe reserva no Brasileirão. Mas a diretoria alviverde não conta com uma possível eliminação no torneio internacional, o que forçaria o time a voltar suas atenções ao campeonato nacional.

O assunto é muito polêmico e ainda irá gerar muitas manchetes de jornais.

Esperamos, como bom apreciadores do futebol, que o anseio de vencer e o profissionalismo se sobressaiam a intuitos não tão nobres.

fabiosallum.blogdotrio@gmail.com

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Responses

  1. Fabio, esses termos, mala branca, mala preta…

    Já percebeu como todos temos termos preconceituosos embutidos no nosso subconsciente?

    Por que o conceito de mala preta é mais depreciativo?

    É o preconceito velado ainda embutido na nossa sociedade, e muitas vocês, todos nós usamos sem perceber…

    Fábio Sallum: Bem pensado, Diogo.

    Nossa sociedade é mais preconceituosa do que se enxerga.

    Abraços!

  2. No ano de seu centenário, o Corinthians teve desempenho espetacular, histórico, nos clássicos:
    Corinthians x Palmeiras: 2V, 1E, 0D
    Corinthians x SPFC: 3V, 0E, 0D
    Corinthians x Santos: 2V, 0E, 1D

    O Corinthians, mais importante que tudo, ganhou um novo estádio, o qual deve ser palco da abertura da Copa de 2014, dos grandes jogos e dos grandes shows internacionais em São Paulo:
    http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2010/11/estadio-do-corinthinas-e-oferecido-e-cbf-aposta-na-abertura-em-sao-paulo.html

    A cereja do grande bolo do centenário corinthiano (centenário que mereceu a maior repercussão já provocada em todos os aniversários de 100 anos de clubes brasileiros) deve ser a conquista de uma vaga para a disputa da Taça Libertadores do próximo ano (única taça que falta no insuperável Memorial corinthiano).

    O título do Brasileirão (difícil, pelo clima de “entrega” formada pelos torcedores do Palmeiras e do SPFC, imoralmente corroborado por vários jornalistas esportivos), se vier, seria um banho de cerveja, para lavar de vez a alma da já orgulhosa e eufórica Fiel.

    Fábio Sallum: João, a grande expectativa de 2010 era sobre a conquista da Libertadores, o que não aconteceu.

    O Timão tinha o Brasileirão nas mãos – um dos mais fáceis de todos os tempos – e, por pura incompetência, se encontra na atual situação, dependendo de resultados dos rivais.

    À exceção das comemorações do Centenário, não vejo nada de espetacular neste ano.

    De positivo, eu vejo o desempenho nos clássicos.

    Acredito que o Timão vai levar esse título brasileiro.

    Abraços!

  3. Em tempo, Fabio, essa distinção de cor da mala é recente. Lembro-me que final dos anos 80, nas retas finais de campeonato, sempre esse assunto vinha à tona, ja que sempre tinha algum time grande enfrentando time pequeno desinteressado em resultado e sucestível à aumento de interesse mediante pagamento. Só que a expressão que usavam era “mala preta”. Só recentemente começaram a usar mala-branca como incentivo para vencer e mala preta como suborno.

    Fábio Sallum: Bem observado, Jair!

    Abraços!


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