Publicado por: Blog do Trio | 01/09/2010

Presidente, torcedor e chanceler.

Nação Corinthiana,

No início da noite desta terça-feira, o Salão Nobre do Corinthians foi palco para uma sucessão de homenagens ao presidente Lula, a quatro meses do fim de seu segundo mandato.

O local estava apinhado de conselheiros, convidados, políticos e dirigentes de futebol dos principais clubes do país. Dentre eles, Roberto Dinamite (Vasco da Gama), Roberto Horcades (Fluminense), Luiz Gonzaga Belluzzo, Gilberto Cipullo, Mustafá Contursi (Palmeiras) e Juvenal Juvêncio (São Paulo).

Aliás, era visível o desconforto do mandatário são-paulino, que dividiu o palco com Andrés Sanchez, além de Lula e da primeira-dama Marisa Letícia, o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, e Fábio Koff, presidente do Clube dos 13.

A despeito da presença de vários políticos, dentre os quais muitos postulantes para vagas legislativas neste ano, foi uma grata surpresa perceber que o evento em nenhum momento descambou para o palanque eleitoral.

Dando início à cerimônia, Andrés Sanchez entregou ao “Torcedor Símbolo do Centenário” a faixa presidencial da República Popular do Corinthians, bem como camisa comemorativa do Centenário com seu nome e o número 13 estampados nas costas.

Posteriormente, Orlando Silva falou sobre a a importância do Corinthians no cenário nacional e mundial do futebol e estendeu-se além da conta ao fazer um balanço das realizações na área esportiva durante os últimos 8 anos.

Fabio Koff prosseguiu com as felicitações ao centenário do Timão. Ainda, destacou que Lula foi o Presidente da República que mais se empenhou a favor do esporte, razão pela qual entregando-lhe o título de Chanceler Honorário do Futebol Brasileiro.

Como era de se esperar, Lula desfilou bom-humor e simpatia em seus agradecimentos, falando de sua ligação de 56 anos com o Corinthians e explicando o porquê de se envolver tanto com o futebol. Veja abaixo alguns trechos de seu discurso:

HOMENAGENS

“É com muita alegria e satisfação que recebo esse título de chanceler do futebol. É um dia gratificante para mim, por estar na sede do Corinthians, numa festa do futebol brasileiro, onde dirigentes do esporte estão reconhecendo o trabalho de uma equipe que levou em conta a importância do futebol para a nossa economia e o que representa o futebol para o lazer e divertimento de milhões de brasileiros e brasileiras.”

INTERESSE PELO FUTEBOL

“Entendemos que, ao invés de ficar apenas falando, era melhor ficar trabalhando para que pudéssemos recuperar o prestígio do futebol brasileiro. Isso só seria possível com uma equipe de governo e um presidente que conhecesse as arquibancadas dos clubes e dos campos de futebol do seu país. Só quem tivesse assistido a um jogo de futebol na Fazendinha, ou jogos no tempo que o Palmeiras era chamado de Academia no jardim suspenso, ou quem viu o Corinthians sendo campeão do estádio contra a Ponte Preta em 1977, ou que viu o Botafogo ganhar do Palmeiras no Maracanã, ou um Fla-Flu, ou a invasão do Corinthians ao Maracanã contra o Fluminense, etc.”

SUSTENTABILIDADE DOS CLUBES

“Não consigo entender como um time como o Santa Cruz está na Quarta Divisão. Não consigo compreender como um time como o Esporte Clube Bahia esteja na Segunda. Às vezes, fico com inveja de clubes que têm coisas acertadinhas, como o São Paulo, Atlético-PR e Cruzeiro. Eu não quero a presidência do Corinthians ou voltar a ter um cargo, mas não é possível que o Corinthians não tenha 150 mil sócios em São Paulo, um trabalho como fez o Inter, que quase se sustenta. Nós precisamos fazer com que a torcida seja parte da sustentabilidade que o clube tem. Não pode depender do patrocínio ou da transmissão da televisão.”

MUDANÇAS

“Quem viveu tudo isso não poderia chegar a presidente da República e fingir que o futebol brasileiro era um antro de bandidos e não poderia dar certo. A verdade é que nós mexemos muito no marco regulatório, a começar pelo cuidado com o Estatuto do Torcedor. Tem a questão das dívidas dos clubes…Quem conhece minimamente de economia sabe que não tinha como recuperar os clubes se não tivéssemos ao menos um gesto. Não doação, mas criação de uma mecanismo para arrecadar um mínimo necessário, para ter reformulação.”

PERDA DE JOGADORES

“O fato de tirar o jogador de futebol do berçário, vendê-lo e receber de volta na aposentadoria. Essa é a inquietação dos dirigentes. Não vamos criar um mecanismo que proíba a liberdade do ser humano de ir onde bem entende, ir vencer na vida, ganhar em euros, ou mesmo proibir o clube de fazer negócios. Mas é preciso uma lei de compensação. O clube investe desde os sete anos, ele vai embora e o clube não ganha nada. Precisamos achar um ponto de equilíbrio, sei que chegaremos a isso.”

RETORNO DOS TORCEDORES

“Faltam quatro meses para eu deixar a Presidência, não quero a Presidência do Corinthians, mas não é possível que o clube não tenha cento e cinquenta mil sócios, como o Internacional, que quase se auto-sustenta de associados. É preciso fazer com que o torcedor seja a rentabilidade do clube. Não podemos ficar à despeito do patrocínio ou somente à despeito da transmissão da TV. Precisamos dos dois. Não só os torcedores organizados, mas todos têm de sair de casa com a família para assistir a um clássico e voltar como se estivesse ido ao cinema. É aí que esatmos devendo.”

PLANO DE PREVIDÊNCIA A JOGADORES DE FUTEBOL

“Estudo criar um plano de previdência para os jogadores de futebol desse país. Mesmo nos clubes grandes, não são todos quer ganham muito. A maioria ganha pouco. A chance é chegar a clube grande ou ir para o exterior. Muitos começam em clubes pequeno e ficam ou não sabem administrar o dinheiro. Pretendo comunicar o Clube dos 13, fazer uma reunião em Brasília e apresentar uma proposta de previdência para eles.”

VENDA DE INGRESSOS

“O dia em que os clubes de futebol quiserem acabar com os cambistas e que o sistema de loterias vendam ingressos, a Caixa Econômica já está pronta para vender em toda a rede lotérica. O dia em que quiserem, é só propôr ao Orlando Silva (ministro do esporte), nós conversamos e anunciamos para vocês como fazer esse trabalho”

100 ANOS DO CORINTHIANS

“Estou muito orgulhoso de ver o Corinthians completar cem anos. Há mais de meio século torço para o Corinthians, a minha vida inteira fui corintiano, aguentei o período do faz-me-rir…Como foi duro enfrentar um Santos toda hora batendo na gente…Continuo mais corintiano do que nunca, sofro mais do que nunca, a Marisa (Letícia, primeira-dama) de vez em quando me tira da sala porque acha que sou pé-frio. Quando chego o time toma gol (risos).”

Conforme visto acima, Lula falou sobre uma possível criação de uma previdência para atletas, além da comercialização de ingressos pela Caixa Econômica Federal, em casas lotéricas. A pergunta que fica é: por que falar disso na reta final de sua gestão, sendo que poderia tê-lo feito nos últimos oito anos?

Além das bajulações de praxe, o evento serviu para dar início às comemorações do aniversário de 100 anos do Corinthians.

Até porque a verdadeira festa ainda vinha pela frente.

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