Publicado por: Blog do Trio | 23/07/2010

São Paulo 1 X 1 Grêmio Prudente

POR RENATO MORAES

Nação tricolor,

Nosso querido São Paulo novamente não fez uma boa apresentação na noite de hoje. O decepcionante empate com o Grêmio Prudente em pleno Morumbi está longe do que se espera de um time com bom elenco, que se encontra na véspera de partida decisiva na Libertadores, e que vinha embalado até a parada para a Copa do Mundo.

Por razões profissionais, não assisti ao jogo. Fica difícil, portanto, analisar a formação tática do time e o funcionamento da estratégia adotada por Ricardo Gomes no decorrer do embate. Segundo as notícias veiculadas na internet, a equipe teve atuação apagada no primeiro tempo – sem corresponder às expectativas criadas pelo gol marcado logo no início da partida – e, embora tenha melhorado na segunda etapa, não produziu o suficiente para derrotar a mediana equipe prudentina.

Do mesmo modo ocorrido na partida contra o Vitória, o gol adversário veio em equívoco incompatível com a excelência apresentada pela defesa tricolor nos últimos tempos. Do mesmo modo ocorrido na partida contra o Vitória, a jogada ocorreu pelo alto e pelo lado esquerdo da defesa. Do mesmo modo ocorrido na partida contra o Vitória, nosso treinador e nossos zagueiros foram incapazes de impedir uma jogada um tanto elementar do oponente.

Mas há uma questão mais importante – e certamente mais polêmica – a ser debatida: a cabeça de nosso treinador deve rolar agora? Remando contra a maré – quase uma enxurrada – da nação tricolor, darei minha opinião de forma simples e direta: não.

A análise da questão não passa pela competência de Ricardo Gomes – bastante questionável, diga-se de passagem –, mas sim pelo exame do papel do treinador nas equipes de futebol. Se é inegável a importância da atuação deste profissional no desempenho de uma equipe, também é inequívoco que sua função não gera resultados a curto prazo.

Muitas das atuações marcantes de treinadores em equipes de futebol ocorreram como resultado de trabalho a longo prazo. Desde Telê Santana no inesquecível São Paulo da década de 90 até o bom trabalho de Mano Menezes diante de Grêmio e Corinthians – passando por Felipão, Luxemburgo e, mais recentemente, Muricy –, os grandes momentos dos profissionais que ficam à beira do gramado vieram após um período razoável no comando das equipes.

É bem verdade que treinadores que ficaram por curto período também foram vitoriosos. Exemplo clássico ocorreu com Paulo Autuori em 2005. Mas, nestes casos, ou bem eles assumiram equipes bem estruturadas diante do trabalho realizado pelos antecessores, ou bem o elenco, por si só, resolveu o problema. É difícil – senão quase impossível – apontar a efetiva interferência do treinador em tais situações.

Se mesmo os técnicos reconhecidamente competentes apenas foram capazes de gerar resultado a longo prazo, quanto mais os profissionais que atualmente estão disponíveis no mercado, que não passam de apostas. Considerando que falta apenas uma semana para o início das partidas contra o Inter, a situação envolvendo o São Paulo fica ainda mais grave.

Trocar o treinador neste exato momento é tentar corrigir um erro com outro. É reconhecer a falta de planejamento na demissão de Muricy Ramalho, na contratação do seu substituto e no preparo da equipe para 2010. É criar um verdadeiro círculo vicioso composto por convites pautados mais pela intuição do que pela razão e por rescisões súbitas e incompatíveis com o dito profissionalismo da diretoria tricolor.

Por estas razões, vale aqui o que Ricardo Teixeira disse num de seus poucos momentos de bom senso: não adianta alterar o comandante do avião no meio da travessia sobre o Oceano Atlântico. É mais aconselhável aguardar o fim da viagem para se planejar os rumos da nova jornada.

No caso do São Paulo, deve-se seguir o exemplo do Milan: assumindo-se o equívoco na contratação de Ricardo Gomes, aguarda-se o término da Libertadores – ou mesmo do Brasileiro – para se definir racionalmente o planejamento para o futuro do tricolor e o profissional cujo perfil se encaixa para colocá-lo em prática. Caso contrário, ao invés de procurar outro treinador, é mais buscar um pai-de-santo para assumir a equipe.

Renato Moraes.

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