Publicado por: Blog do Trio | 08/05/2010

Sucessão de erros!

Nação Corinthiana,

Prometo a vocês que esta é a última vez que trato do assunto da semana: a eliminação do Corinthians na Copa Santander Libertadores.

Aliás, o Brasil inteiro se mobilizou para fazer piadinhas – algumas engraçadas, é verdade – a respeito do “fim do sonho da Libertadores”. Isso só demonstra que, por mais que nossos rivais tentem nos diminuir, nossa importância ultrapassa qualquer limite.

Não bastasse isso, atletas e dirigentes vieram a público para apresentar uma porção de explicações que não foram convincentes.

A análise fria dos fatos somente me permite concluir uma coisa: o planejamento realizado pela diretoria de futebol beirou o amadorismo.

Como poderiam nossos dirigentes contar tanto com a conquista da taça continental, como se fosse algo certo e matemático, a ponto de não possuir Plano B em caso de eliminação? E como pode o departamento de marketing resumir o glorioso centenário do Timão à disputa pela Libertadores?

Entendo que o primeiro equívoco cometido foi a não-manutenção da equipe campeã de 2008/2009. A diretoria deveria ter deixado o “business” de lado, evitando a saída de André Santos e, principalmente Douglas e Cristian – o que causou uma quebra na espinha dorsal da equipe.

Os três foram negociados, dando lugar a um batalhão de atletas de nível técnico questionável, trazidos pelo empresário do técnico, bem como por dirigentes, conselheiros e até – vejam só – comentaristas de futebol conhecidos como “craques”.

A busca por um camisa 10 nos rendeu, entre outras, a contratação de Matías Defederico: vendido como o “Novo Messi”, o argentino foi adquirido pelo clube com base apenas em um DVD com os melhores momentos de sua carreira.

Em campo, percebemos que o jovem não era essa Coca-Cola toda. Aliás, Defederico estava mais para um atacante promissor do que o meia armador que procurávamos, sendo obrigado a se conformar com as duras cargas de treinamento e o banco de reservas.

Já Ronaldo, entre lesões e lipoaspirações, foi regredindo em sua recuperação física.

Sem conseguir montar um time titular, passamos o Brasileirão “nos preparando para a Libertadores” – ou seja, tropeçando.

Chegou 2010 e, com ele, mais uma baciada de atletas. Desta vez, nomes do calibre de Roberto Carlos, Iarley, Danilo e Tcheco. Com um plantel inchado – e a Fiel cheia de esperança -, demos início ao sistema de rodízio.

Mano Menezes testou todos os atletas durante o Paulistão, cuja disputa abdicamos por, novamente, estarmos “nos preparando para a Libertadores”.

O torneio continental começou e ainda não tínhamos uma equipe titular. Mano insistiu no 4-4-2, mandando Jorge Henrique, em baixo rendimento, para o banco.

Apesar de jogarmos contra equipes fracas tecnicamente, tivemos partidas difíceis. O Timão não convencia em campo, mas as vitórias e bom aproveitamento varriam as desconfianças para debaixo do tapete.

Para piorar, Ronaldo mal se aguentava sobre suas pernas.

Se todos tínhamos certeza de que nunca mais veríamos o Fenômeno que conquistou a Copa do Mundo de 2002, nos tempos áureos de sua carreira, ao menos esperávamos o retorno do camisa 9 que desequilibrou as disputas do Paulistão e da Copa do Brasil do ano anterior.

Vieram as oitavas-de-final e, com elas, a eliminação.

Como pôde, os jogadores do Timão lutaram até o fim – isso é inegável. Mas os erros de planejamento, preparação e condução da equipe falaram mais alto.

A imprensa, que antes exaltava o treinador, fez sua caveira no dia seguinte à partida no Pacaembu. Assuntos considerados tabus – que já eram de conhecimento do leitor ligado no Blog do Trio – começaram a ser jogados no ventilador.

Até uma mal-explicada entrega de cargo foi anunciada antes da renovação de contrato com o técnico.

Apesar de entender que Mano Menezes não é o tipo de técnico que desejamos para comandar nosso Timão, em razão de suas condutas tanto dentro do campo quanto fora, entendi como coerente a decisão da diretoria em mantê-lo.

Afinal, tanto o omisso Mario Gobbi quanto o próprio presidente do clube foram co-responsáveis pelos erros. Ora, se o treinador goza de grande “prestígio” dentro do departamento, controlando negociações e o próprio diretor de futebol,  a responsabilidade cabe a quem lhe atribuiu tal poder inquestionável.

A bucha sobrou para os preparadores físicos – exceto Lula Filho, mantido no cargo. Esperamos que os novos profissionais consigam melhorar o condicionamento dos atletas, que, apesar de não ter sido o fator determinante para a eliminação do Corinthians, deixou a desejar.

Resolvida (em tese) a questão, é hora de prosseguir com o ano. Porém, não sem antes cometer outro erro: em pleno olho do furacão, foi permitida a presença de torcedores durante o treinamento realizado na manhã deste sábado, no Parque São Jorge.

Estive no local nesta manhã e fiquei surpreso com o grande número de corinthianos disparando xingamentos contra Mano Menezes, criticando sua relação indecente com Carlos Leite, bem como exigindo sua saída imediata do clube. Mario Gobbi e os jogadores também foram xingados.

Apesar de concordar com as palavras de alguns manifestantes, o treinamento não é o local adequado para tanto. Tal tipo de atitude atrapalha a concentração dos jogadores, deixando-os pressionados de maneira desnecessária, além de engrossar os cadernos esportivos dos noticiários.

Lugar de protesto é na arquibancada do Pacaembu.

O Brasileirão começa neste domingo para o torcedor alvinegro.

Tomara que o Corinthians tenha aprendido com tantos erros.

Timão estréia no Brasileirão de roupa nova. (Crédito: Nike/Divulgação)

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Responses

  1. Lugar de protesto não é a arquibancada do Pacaembu… lá é sagrado.

    Lá só se torce pro time e incentiva.

    Vc teve muitas considerações que concordo, mas isso nem de longe passou perto de uma verdade.

    Protesto é legitimo e tem que ser feito principalmente nos treinos e dependências do PSJ.

    VAI CORINTHIANS!

    Fábio Sallum: Mônikita, respeito sua opinião, mas discordo.

    A arquibancada é o local sagrado da torcida, onde ela se manifesta em toda a sua plenitude. Seja apoiando, seja criticando.

    De qualquer modo, o importante é que concordamos no cerne principal do tema.

    Abraços!

  2. Corneteiro. Vaza.

    Fábio Sallum: É fácil taxar o crítico de corneteiro.

    Você está satisfeito?

    Abraços!

  3. Fábio,
    Belo texto.
    Só discordo quando você diz que a decisão da diretoria em manter o treinador foi coerente.
    O técnico foi mal, cometeu vários erros de planejamento, escalou e substituiu mal em grande parte dos jogos.
    A escalação daquele goleiro e a insistência em mantê-lo me deixou com a pulga atrás da orelha.
    Muita gente concorda com meus comentários mas inexplicavemente e de forma incoerente na minha opinião, considera o Mano Menezes um ótimo técnico.
    Não consigo entender como, após tantos erros ainda recebe aumento e um contrato tão longo.
    Duvido que o contrato seja cumprido. Será mais um que vai receber sem trabalhar. Podem escrever.
    Agora que já passou e podemos criticar pois não estaremos “tumultuando” o ambiente, convenhamos, vai contratar mal assim lá longe..
    Mudando de assunto, hoje tivemos uma partida de Futsal e embora o Corinthians tenha apenas empatado foi um jogo bonito e o Corinthians está com um timão.
    Aliás, este departamento é bem administrado e tem conseguido ótimos resultados nos últimos tempos.

    Fábio Sallum: A manutenção do treinador foi coerente com as demais condutas cometidas pela diretoria.

    Algo não me cheira muito bem nessa renovação. Eu também não acredito que Mano Menezes vai permanecer até o fim do contrato.

    Não discordo do protesto, e sim, do seu local.

    Realmente o Futsal do Coringão tem sido motivo de orgulho!

    Abraços!

  4. Não é assim as leis da arquibancada Fabio … ainda mais da corinthiana.

    E o treino permite a proximidade para a pressão que o protesto tem que ter com certeza.

    É NÓIS.

    Fábio Sallum: Como disse antes, tenho opinião diferente.

    De qualquer modo, espero que os protestos – absolutamente legítimos – não extrapolem certos limites, como já vimos em episódios anteriores.

    Aliás, irretocável seu último texto!

    http://bodeguitacuba.blogspot.com/2010/05/teatro-de-mascaras.html

    Eu me pergunto: se as pessoas sabiam que alguns jogadores estavam mal por se esbaldarem nas baladas, porque o assunto foi tratado apenas agora?

    E o preparador físico – o mesmo responsável pela recuperação do Ronaldo – agora é o culpado?

    Abraços!


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