Publicado por: Blog do Trio | 16/04/2010

A volta das bandeiras?

Amigos do Trio,

20 de agosto de 1995.

São Paulo e Palmeiras disputavam a final da “Supercopa SP de Juniors”.

Uma espécie de Copa São Paulo do segundo semestre.

O Palmeias venceu a partida e ficou com o título. Nem me lembro do resultado.

Pois isso é o que menos importa.

Nenhum grande craque foi revelado.

Aquela manhã de domingo ficou marcada por outro motivo, que não o futebol.

Após o jogo, as torcidas de São Paulo e Palmeiras protagonizaram no gramado do Pacaembu uma das maiores batalhas campais da história do futebol.

O tobogã do Pacaembu estava em obras.

Ou seja, à mão dos torcedores sobraram paus e pedras.

O resultado imediato foi a morte de um torcedor.

A violência no futebol passou a ser problema de segurança pública.

Nesse cenário, aparece o então Promotor de Justiça, e hoje deputado estadual, Fernando Capez.

A primeira medida é proibir a entrada nos estádios de qualquer artefato alusivo a uma torcida organizada.

Ou seja, faixas, bandeiras, camisas, bonés, etc.

Se fosse de torcida organizada, estava proibido.

No ano seguinte, e já sabendo que a proibição da entrada de identificação das torcidas, por inconstitucional que é, seria derrubada, a Assembléia Legislativa do Estado aprova uma lei proibindo a entrada em praças esportivas do Estado de São Paulo de bandeiras aparadas por mastros e fogos de artifício de qualquer natureza.

Trata-se da Lei Estadual n.º 9470/1996, hoje em pleno vigor, que dispõe em seu artigo 5º:

 

Artigo 5º – Nos estádios de futebol e ginásios de esportes mencionados nos artigo 1º ficam proibidas a venda, a distribuição ou utilização de:

I – bebidas alcoólicas;

II – fogos de artifício de qualquer natureza;

III – hastes ou suportes de bandeiras; e

IV – copos e garrafas de vidro e bebidas acondicionadas em lata.

 

Posteriormente, como já era previsto, as torcidas organizadas tiveram autorizadas sua volta aos estádios (proibição baseada em dispositivos internos da FPF). 

Entretanto, as bandeiras, continuaram proibidas, eis que há a referida Lei em vigor.

E, agora, voltou-se à discussão sobre sua revogação, ao menos na parte alusiva às bandeiras.

O fato, é que o estádios paulistas não são nem um pouco mais seguros que o de outros estados.

Mas, são bem mais sem graça.

Quem não sente uma pontinha de inveja ao ver as arquibancadas do Maracanã cheias de bandeiras.

Eu sinto!

E a verdade é que o problema da violência no futebol não está no mastro das bandeiras.

O projeto de Lei que busca revogar a proibição (na verdade, é necessário revogar a lei que proíbe) é o 204/2010, de autoria do Deputado Vicente Cândido (PT).

Estão sendo realizadas diversas audiências públicas, envolvendo as própias torcidas, Polícia Militar, Ministério Público e Federação Paulista.

Espero que consigamos chegar a um denominador, para que a beleza volte aos hoje tão sem-graça estádios de SP.

Colocar a culpa da violência nos mastros das bandeiras, é, para mim, o mesmo que aquela história do marido traído que encontra o amante da mulher escondido no armário No dia seguinte, no lugar de se separar da mulher, joga o armário fora!

Aurélio Camargo

aurelio.camargo@blogdotrio.com.br

Siga-me no Twitter: http://twitter.com/aureliocamargo

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Responses

  1. Que legal, não imaginava que essa proibição era de lei.
    Mto legal seu post.


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