Publicado por: Blog do Trio | 10/03/2010

Entrevista com o chefe!

Nação Tri-Mundial,

Segue abaixo entrevista com o Presidente Juvenal Juvêncio, publicada hoje no Lancenet, onde o todo poderoso do Morumbi fala sobre Copa 2014, garotos da base, elenco atual, Ricardo Gomes, etc.

Vale a pena!

LANCENET!: A batalha para que o Morumbi receba a abertura da Copa-2014 é sua maior como dirigente?
JUVENAL JUVÊNCIO: É gigantesca, mas não se encerrou. Não é o que falta, é o que você já venceu. Quando começamos estava zero, progrediu muito. Isso será debatido até dezembro de 2012. Vamos gastar no Morumbi 10% do total da obra de mobilidade no entorno. O governo do Estado tem projeção de metrô, Avenida Perimetral, canalização de córrego. dois piscinões, área de televisões, estacionamentos, desapropriações. Tudo custa mais de três bilhões de reais. Sem isso, não tem Copa. Temos crédito junto ao BNDES para a reformulação. Se fosse para as oitavas de final, estava pronto, mas queremos mais. A Copa é um grande evento e temos tradição nisso. A Madonna colocou 210 mil pessoas aqui em três dias. U2, Beyoncé, nomes desse porte vieram, e ninguém se queixa do gramado ou de acidentes. Falar do Morumbi virou modismo, mas enfrentamos e temos dado passos fortes.

 

L!: Não é prejudicial o clima de animosidade entre clube e Fifa?
J.J.: Nunca houve animosidade. As conversas são boas. Não sabemos fazer mágica, há dificuldades que temos de examinar. Há especialistas da Alemanha aqui, gente versada nesse processo. Não temos expertise de cobertura de estádio, mas eles têm. Importamos a mão-de-obra. É muito difícil, trabalhoso, há exigências, detalhes. Mas nós brigamos.

 

L!: O senhor consegue se imaginar no Morumbi pronto? Imagino que seria uma satisfação indescritível.
J.J.: Ainda é abstrato, embora as fotos mostrem uma visão simpática. É uma obra importante. Não existe nada mais chique em São Paulo do que o Morumbi. Está próximo do aeroporto, das Marginais, do Rodoanel, das redes hoteleira e hospitalar, dos centro de compras, cultural e de lazer, do metrô. A Avenida Perimetral vai tirar 40% do trânsito da Giovanni Gronchi, que é intransitável durante a manhã, um desastre em dias de shows. Isso é o legado. Na segunda-feira não tem jogo, acabou a Copa, mas haverá o legado para a população.

 

L!: O senhor não acha que os títulos dos últimos anos tornaram o São Paulo uma equipe fria demais, até desinteressada?
J.J.: Isso é dos homens. Mas o São Paulo tem cultura de pensar em títulos, espírito vencedor. Com a mesmice, as pessoas se acomodam e, contra isso, fiz a renovação. Trouxe 12 jogadores porque precisava capacitar a equipe e fazer uma ebulição, trazer sangue novo, diferente. Nosso produto é a emoção, precisamos tê-la sempre quente. Não começamos bem, mas temos um time competitivo, não tenho dúvidas. Sempre tenho cuidado com o que falo. A competição é um risco, mas temos de ter competência para competir. Acredito fortemente que temos e vai encorpar.

 

L!: Este elenco é o melhor, ou um dos melhores que o senhor já montou?
J.J.: É difícil falar, mas acho muito bom. Na prática ainda não jogou. Estávamos sem jogadores importantes como Rodrigo Souto, Alex Silva, Fernandinho. Estou esperançoso.

 

L!: E se o elenco é tão bom, a responsabilidade do técnico aumenta?
J.J.: Aumenta, não é? Sou partidário disso. Porque se você tem um time competitivo, tem de ter resultado. Senão dá uma dicotomia.

 

L!: O Ricardo Gomes é o homem correto para administrar esse elenco?
J.J.: Ele é muito correto, trabalhador, sério, aplicado, responsável, sem bravatas. Acredito que vai ter êxito.

 

L!: O senhor não acha que o São Paulo tem muitos bons jogadores, mas ninguém capaz de decidir? Não falta o craque?
J.J.: O craque é cada vez mais raro, embora estejam aparecendo jovens importantes. Falta um jogador que decide. Que falta não faz um Careca, um Luís Fabiano? Isso é importante, senão você fica capenga. Bem atrás, bem no meio, mas não conclui. Não é fácil achar 11 jogadores de alto nível, mas acredito muito no time.

 

L!: Em alguns jogos, o São Paulo aparenta falta de vontade no Paulista. O clube quer ganhar essa competição?
J.J.: Sim! A Libertadores traz mais coisas, público, ressonância, a expectativa, os anseios e a glória são maiores. Isso é um despertar natural no atleta, mas não há menoscabo em relação às outras. Há um aquecimento natural quando a importância da partida é maior. Tivemos nove dias de pré-temporada, isso não existe. Estamos fazendo no Paulista. Então põe um, outro, tira, poupa aquele. Isso leva o espectador a achar que há uma dissídia. Esse é o momento de experimentar, a disputa é importante, mas tem uma temperatura menor. O público é uma resposta disso, é baixo em todos os times.

 

L!: O senhor tem mais um ano de mandato. Há alguém no São Paulo capaz de substituí-lo?
J.J.: Claro que tem, mas o presidente não fala sobre isso (risos). Aqui falamos de futebol, Copa do Mundo, de política não falamos, atrapalha.

 

L!: É um hábito seu usar termos raros da língua portuguesa, que muita gente não entende. Qual o motivo disso?
J.J.: Vem da leitura, eu gosto, e é tão espontâneo. Quando vi, já falei. Mas percebo que entendem. Falei da carta de alforria e ouvi depois. É corretíssimo. As entrevistas sobre futebol são de uma mesmice bruta, não? Não sei como o cara em casa consegue assistir. “Perdemos porque não foi bem, a grama tava alta, choveu muito, o árbitro errou, vamos mudar no segundo tempo…”. Em todos os jogos tem isso? Se vendemos emoção, qual eu transmito com essa palavra? No ano passado, perguntaram por que não ganhamos o campeonato. “Porque fomos incompetentes!”. No dia seguinte o Belluzzo me telefonou: “Juvenal, você falou que o time é incompetente?”. “Falei”. Ele me deu parabéns (risos).

 

L!: O senhor lê muito? Que tipo de leitura mais aprecia?
J.J.: É um hábito cotidiano. E sai uma palavra ou outra espontaneamente, às vezes até me arrependo, mas também não prejudica, não é? Eu estudo, anoto o porquê das coisas. Leio sobre coisas ligadas ao mundo político. Na última quinta-feira, no Supremo, teve uma decisão do José Roberto Arruda. Ao vivo, todos os ministros falando. Deixei de assistir a uma partida de futebol para ver os ministros. Entendeu? Essa preocupação é importante (risos).

 

L!: Não se arrependeu da mudança de canal?
J.J.: Não. Até porque eu torcia contra o time que estava ganhando (risos).

 

L!: Quando dizem que é folclórico, o senhor se ofende ou fica satisfeito?
J.J.: Não me acho folclórico. Quando falo algumas coisas fora do diapasão, as pessoas dizem. Se compararmos com os que já tivemos, eu não sou. Não sei como se interpreta o folclore, tem sentidos negativo e positivo. O maior que tivemos foi o Vicente Matheus, que era fantástico. Outro era o Mendonça Falcão. Eles tinham um linguajar inculto nas letras, mas na inteligência eram muito sábios. Eu me lembro que houve reunião do Clube dos 13 no Rio de Janeiro e o Dualib era diretor de futebol do Corinthians, estava no lugar do Matheus enquanto ele não chegava. Quem presidia a sessão era o Márcio Braga, do Flamengo. Era um negócio contra a Globo e precisava de unanimidade. Chega o Matheus e o Márcio diz que faltava só o voto dele. O Matheus perguntou: “Como votou o Juvenal?”. “O Juvenal votou sim”, respondeu o Braga. “Se ele votou sim, vou votar não. Se é bom para ele, não é para mim” (risos). E votou não! Enfim, se falarem que sou folclórico, vejo pelo lado positivo.

 

L!: O senhor sempre vai aos jogos com uma camisa xadrez de gola vermelha. É uma superstição?
J.J.: Poderia ser superstição, é um hábito também. Dizem que o hábito faz o monge. Gostei dessa linhagem e uso.

 

L!: E não muda mesmo quando perde.
J.J.: Você tem de acreditar, senão… (risos). Isso surgiu e você se habitua com esse processo.

 

L!: Quantas camisas iguais o senhor tem?
J.J.: Tenho bastante, são todas parecidas, não pode mudar muito. Não sei quantas (risos).

 

LANCENET!: Hoje, quem tira mais seu sono, Giuliano Bertolucci ou Jérôme Valcke?
JUVENAL JUVÊNCIO: Ah, o Giuliano é uma coisa passageira. Não tira o sono. Temos um corpo jurídico competente e a verdade. Ela pode até demorar para ser cristalizada, mas é um episódio que vou vencer, se não hoje, será amanhã. Como você forma um jogador e depois não o tem? A moda está pegando, teve um no Sul (Walter, do Internacional), uma briga do Perrella. Temos 170 moleques em Cotia e cinco ou seis com participação de empresários nos direitos. Tenho informações seguras que muitos clubes têm 100% da base corroída. Há clubes de menor expressão com jogadores trazidos por empresários na condição de jogar. Ele paga uma parte do salário, mas o técnico é obrigado a escalar. Isso está corroendo a base do futebol. Quando o São Paulo luta bravamente, defende o futebol brasileiro. Os outros clubes, que criticam, deviam aplaudir. O Presidente da República me disse que precisamos de uma legislação para coibir o êxodo dos garotos. É difícil porque há o direito constitucional de ir e vir. Mas isso está se avolumando de tal sorte que o Perrella fala em parar de formar jogadores. É muito grave. Estamos lutando com dois, três casos, os clubes certamente irão ao fórum copiar o que fizemos, e fazem muito bem. Queremos segurar nossos atletas, fazer um contrato, mas o empresário tira o jogador, leva não sei aonde. Isso vai se expandir e uma hora tem de haver um basta.

 

L!: O senhor vai continuar esperando pelos três (Oscar, Diogo e Lucas Piazon)?
J.J.: Vou, tranquilamente. Já fiz meu exercício de paciência, se demorar um ano está bom. Vigio juridicamente o processo e o resto eu deixo.

 

L!: Não acha que depois de um ano a carreira deles pode ter acabado?
J.J.: Pode ser. Mas não tenho para onde correr. O garoto levanta de manhã e tem um hábito, vai para o campo. E agora, vai para onde? Não pode treinar em outro clube porque tem contrato conosco, como faz o exercício, como é o dia-a-dia? Como vê na televisão os colegas jogando? É um martírio, um problema de escravatura. Mas essa posição firme do São Paulo levará a uma nova tomada de posição. O São Paulo resistiu, lutou, está higienizando o processo. Não só na consciência das pessoas, dos dirigentes, mas também na do próprio legislador, da Fifa. Porque a cada notícia de que um jogador meu está não sei onde, notifico o clube e a Fifa.

 

L!: Quantas notificações já fez neste processo? E foram clubes grandes?
J.J.: Já fiz sete ou oito só nesses três casos. O cara é notificado, a Fifa é avisada, as punições são severas. E até abril do próximo ano a Fifa vai acabar com esses empresários. É uma figura que a Fifa criou e vai acabar. Já notifiquei Siena, Chelsea, Manchester City, Porto, Benfica… E respondem fortemente, dizem que não é verdade, não procede. Estão se resguardando, dizem que jamais pensaram nisso. Na verdade, significa que jamais pensarão nisso (risos).

 

L!: Acha que esses garotos ainda vingarão? E os que seguem no São Paulo, são bons?
J.J.: Esses três que estão em litígio vingarão, mas precisam jogar. E os moleques que ficaram vão crescer muito, estão amadurecendo rapidamente. Daqui a pouco entrarão no time e, oxalá, vão ficar.

 

L!: O senhor vê talentos especiais em alguns jovens da equipe?
J.J.: Até vejo, mas não nomino para não fazer comparações que ficam negativas internamente. Mas vejo com clareza em mais de um.

 

L!: Desde 2005, quando o CT de Cotia foi inaugurado, só o Breno se firmou entre os titulares. Não é pouco?
J.J.: A formação de jogadores é sazonal, não é programada. Os talentos surgem aqui, acolá, começam cedo. Outros são mais lentos, é um exercício complicado. Mas nossa base de 13 a 15 anos é uma excelência e esse time vai aflorar com muita força. Além do pessoal que ganhou a Copinha, ali temos pelo menos três ou quatro talentos.

 

L!: O Marcelinho é um deles? O Wagner Ribeiro está dando trabalho com ele?
J.J.: É um deles, mas comigo não dá trabalho porque aqui não tem conversa e ele sabe disso. Ele fala lá na outra esquina, aqui não. O Marcelinho é um jogador que promete, mas tem de evoluir. Acreditamos que temos um bom trabalho, mas é preciso paciência.

 

L!: De onde vem disposição para cuidar da base, do time principal, do Morumbi?
J.J.: Vou falar uma coisa que você não acredita. Fiz Cotia em 11 meses e fui lá todos os dias. Sábado, domingo, feriado, Natal e primeiro de ano. Em 11 meses, coloquei gente lá. As obras continuam, há o hotel, um mini estádio, um Reffis fantástico. Estava vendo o programa da grama sintética. Se não cuidar, não sai. Por isso é uma obra formidável. O presidente do Once Caldas disse que precisa passar um dia em Cotia. É bem pensado, administrado, há um programa escolar, de assistência dentária, médica, social, psicológica.

 

L!: E o senhor acompanha o programa escolar?
J.J.: Sei porque são premiados. E os que vão mal têm aula de reposição. Quando inauguramos Cotia, no segundo dia me ligaram porque fulano não queria ir à escola. Disse que estava lá para jogar. Rua! Vai embora! Nunca mais outro disse isso. O Rincón, rapaz que mandamos embora e não virou nada, era fortão e na fila da comida colocava o pé na parede. A nutricionista dizia que não podia, ele colocava. A primeira pena foram 30 dias sem comer lá. Treina e come na rua. Disciplina é importante. Esses jovens têm telefone, muita energia, se você não controla… Aquilo é um quartel. Um quartel-generoso.

 

L!: E o senhor é o coronel? Sei que muita gente o chama assim.
J.J.: Coronel no sentido do interior, que gosta de mandar. Só uma meia dúzia fala isso. É raro.

 

L!: Quem são os melhores jogador, técnico e dirigente do país?
J.J.: Não vou falar nenhum. Não posso falar o que me compromete (risos). No Código Penal há um dispositivo que te permite não se acusar.

Aurélio Camargo

aurelio.camargo@blogdotrio.com.br

Siga-me no Twitter: http://twitter.com/aureliocamargo

 

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Responses

  1. Será que o JJ estava sóbrio na entrevista?!??
    Hahahahaha, brincadeira!
    Mto legal o blog de vcs….
    Só esse Palmeirense que é meio estranho…. Sei não!
    Abração

    Jair,
    Seja bem-vindo ao Blog do Trio.
    Abraços,
    Aurélio Camargo

  2. O JJ é fantástico. Uma excessão no mundo do futebol brasileiro. Sóbrio (sem trocadilho), inteligente e entende de futebol como poucos. Se houvessem mas mais uns dez dirigentes como ele no futebol brasileiro, nossos campeonatos disputariam espaço na midia internacional com os campeonatos italiano, ingles e alemão. Qualidade de atletas temos brotando dos chãos de campinhos de norte a sul. Falta inteligencia para transformar essa colheita em recursos financeiros e brigar de igual para igual com os europeus. Ou quase, dado o poder aquisitivo daqui e de lá

    Jodecir,
    Como bem disse um leitor, sou mesmo um “discipulo de JJ”!
    Abs,
    Aurélio Camargo

  3. Aurélião, eu tinha ouvido q essa história do vicente matheus era com um presidente do Palmeiras…. mas mudando um pouco de assunto, o Chelsea já tá se borrando todo hein…kkkk vc viu o show do Rooney ontem? acho q pintou o campeão….
    Abração
    Saudações Corinthianas!!!!!!

    Fala Wagnão!
    Pois é, eu tb já tinha ouvido dessa história com o pres. do Palmeiras…
    É…. tenho que admitir… Mesmo não simpatizando mto com o time o Manchester é o melhor mesmo!

    Abração,
    Aurelio


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