Publicado por: Blog do Trio | 19/02/2010

A questão estratégica no futebol

Nação Palestrina,
 
A visão sistêmica e estratégica do futebol é algo ainda raro nos dirigentes brasileiros.
 
No entanto, de forma não intencional, a estrutura do próprio Estado Brasileiro acabou por criar privilégios e gerar distorções que se fazem sentir até hoje.
 
Anualmente, são divulgados estudos sobre o valor da marca de cada clube.
 
A agremiação mais valiosa em 2010 é o Flamengo, em 2009, fomos nós.
 
Todos sabem que o que agrega valor a um clube é a combinação entre o número de torcedores e seu respectivo poder aquisitivo.
 
Em qualquer viagem ou lendo qualquer pesquisa que demonstre a distribuição dos torcedores de cada clube pelo país, verificaremos a grande predominância de clubes cariocas, principalmente no Nordeste.
 
Muitos poderiam argumentar que em função do futebol não ter grandes expoentes em Estados como Alagoas, Sergipe, Piauí e Maranhão, a população local escolheria para torcer um “time grande” de outros centros de sul e sudeste.
 
No entanto esse racíocínio cai por terra ao observarmos estados como Minas Gerais e Paraná que, apesar de terem equipes de repercussão nacional, contam, entre seus habitantes, com torcedores de times cariocas e até mesmo paulistas.
 
Em Minas há um empate técnico entre Cruzeiro e Atlético na Capital e uma forte massa de flamenguistas e vascaínos no interior.
 
Como explicar esse fenômeno?

A questão está na comunicação.

Em tempos não muito remotos, o principal centro propagador de informações do país era o Rio de Janeiro.

Essa é uma herança da época em que a cidade era capital, sendo o principal centro político e econômico do país.

Nas décadas de 50, 60, e 70, não havia muitas opções de meios de comunicação, estando a oferta restrita à imprensa escrita – de extensão territorial pequena – e ao rádio.

A TV começa a surgir como meio de comunicação de massa nos finais dos anos 70.

A maior abrangência em termos de alcance era mesmo das rádios, a saber: a Rádio Nacional e a Rádio Globo.

Por estarem no Rio, os jogos transmitidos para todo o país eram majoritariamente dos times cariocas.

Daí a origem dessa “preferência” nacional.

Essa questão poderia ser encarada apenas pelo viés técnico, se os limites da comunicação não estivessem praticamente derrubados , como ocorre nos dias atuais.

Apesar de todo o aparato tecnológico disponível às emissoras, a Rede Globo transmite para todo o país, exceção às praças regionais, os jogos dos times cariocas.

O mesmo ocorre com o futebol paulista no sul de Minas Gerais e Paraná.

Nota-se que a comunicação é hoje uma questão estratégica para o crescimento das torcidas e consequente enriquecimento de clubes.

Aquele que quiser explandir as suas fronteiras para além da sua cidade ou estado deve investir pesado na comunicação em massa.

Já eram os tempos em que para promover um time a melhor forma era excursionar pelo país.

As relações incestuosas entre a CBF, a Rede Globo os clubes cariocas acabam por gerar essa perigosa distorção.

Como pode um futebol que não ganhava um título de expressão desde 1998 – com a Libertdores do Vasco da Gama – mandar e desmandar no futebol brasileiro, protagonizando viradas de mesa históricas como fez o Fluminense nos seus consecutivos rebaixamentos?

É hora de acordar.

guilherme.mendes@blogdotrio.com.br

http://twitter.com/guirmmendes 

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