Publicado por: Blog do Trio | 29/01/2010

Palavras são palavras, nada mais que palavras.

Nação Palestrina,

Pouco mais de um ano depois, é bastante interessante reavaliarmos as palavras de dois dos maiores expoentes da política palestrina, o Pres. Belluzzo e o então candidato Roberto Frizzo.

Vejam o que ambos disseram ao Jornal da Tarde, em 19 de janeiro de 2009, pouco antes das eleições.

 

JULIANO COSTA, juliano.costa@grupoestado.com.br

Reforma do estádio, parceria com a Traffic, patrocínio recorde, folha salarial exorbitante, contas no vermelho, conchavos políticos inimagináveis há até pouco tempo. Poucas vezes um clube teve um cenário tão conturbado às vésperas de sua eleição para presidente, que acontecerá na próxima segunda-feira.

Por isso, o Jornal da Tarde convidou os dois candidatos – o situacionista Luiz Gonzaga Belluzzo e o oposicionista Roberto Frizzo – para um debate de ideias na semana passada. Ambos vieram à redação do jornal, mas em dias diferentes, e expuseram suas opiniões sem fugir de assuntos espinhosos – Belluzzo falou dos atritos de seu grupo, o ‘Muda Palmeiras’, com Salvador Hugo Palaia, seu candidato a vice, e Frizzo se esforçou para desvincular sua imagem da do ex-presidente Mustafá Contursi.

Belluzzo e Frizzo concordaram em poucos tópicos, como a necessidade de mais investimentos nas equipes de base. O oposicionista cobrou a criação de um projeto para melhorar a estrutura do Centro de Treinamento de Guarulhos. Belluzzo rebateu, lembrando que o projeto já existe e aguarda aprovação do Governo Federal, já que se enquadra na Lei de Incentivo ao Esporte – uma empresa privada vai custear os investimentos na base, podendo deduzir o valor em até 1% de seu imposto de renda.

Os dois candidatos reconheceram também que, na atual conjuntura do futebol profissional, é preciso ter parceiro forte como a Traffic, mas que o clube tem de se capitalizar para não ficar refém do parceiro. Frizzo deu o exemplo do zagueiro Henrique, que ficou três meses no clube e logo foi negociado com o Barcelona. Belluzzo argumentou que ele só foi vendido porque a comissão técnica o liberou, imaginando que facilmente encontraria uma boa peça de reposição, o que, ele admite, não ocorreu.

As discordâncias começaram ao se falar de Vanderlei Luxemburgo. Frizzo diz que gosta do técnico, mas prefere “o do vizinho”, uma alusão a Muricy Ramalho, do São Paulo, cujo centro de treinamento fica ao lado da Academia de Futebol do Palmeiras, na Barra Funda. “Ele veste o agasalho e vai a campo chutar bola para os jogadores.” Frizzo questiona a relação custo-benefício da comissão técnica.

Belluzzo usa a palavra “gênio” para se referir a Luxa e o acha injustiçado pelas “elites preconceituosas que acham que o povo é burro”. O economista, conselheiro de Lula, chega a ver semelhança entre o presidente da República e o técnico, já que ambos tiveram infância pobre e se destacaram por suas ideias e capacidade de liderança.

O modo de administração proposto pelos dois candidatos também é diferente. Belluzzo se diz convencido da necessidade de profissionalização de departamentos estratégicos, como os de planejamento e marketing. Frizzo defende um modelo mais tradicional, com atuação direta do presidente no departamento de futebol, “pelo menos nos seis primeiros meses, até colocar a casa em ordem.”

As contas do clube preocupam Frizzo. Segundo ele, as dívidas ultrapassam R$ 70 milhões. O economista Belluzzo discorda completamente. Lembra que boa parte disso (R$ 31 milhões) foi renegociada com o Governo por meio da Timemania – o dinheiro que iria da loteria para o clube vai diretamente para a quitação da dívida. Segundo Belluzzo, o que preocupa são R$ 13 milhões de dívidas bancárias, mas que podem ser contornadas com a antecipação de algumas receitas, como cotas de TV.

Ao fazer isso, Frizzo diz que o clube se endivida ainda mais. Cita a Samsung (R$ 15 milhões): “Se entrar tudo isso no primeiro mês, nos outros 11 vira dívida, porque você antecipou a receita.” Belluzzo ri do argumento e diz que não haverá a necessidade de se antecipar toda a cota da Samsung, como foi feito com a Fiat, em dezembro de 2007.

A reforma do estádio também divide opiniões. Belluzzo defende a WTorre, que transformará o Palestra numa Arena em troca do direito de exploração de suas receitas por 30 anos. Para ele, “é um baita negócio” ver a empresa investir em seu patrimônio (“um bem inalienável”), e ainda assumir os gastos de manutenção, deixando ao clube uma participação sobre as receitas geradas. Frizzo votou contra o projeto e diz que, se for eleito, vai rever alguns dos tópicos. “Mas sou a favor da Arena”, ressaltou.

Política é um tópico à parte. O grupo de Belluzzo tinha atritos com aliados do presidente Affonso Della Monica, como Hugo Palaia e Ebem Gualtieri. O primeiro, inclusive, chegou a se lançar candidato – e com a diretoria dividida, Frizzo levaria fácil. Mas Belluzzo conseguiu aparar as arestas. Palaia e Gualtieri são candidatos a vice em sua chapa.

Frizzo não gosta de ser tido como “candidato de Mustafá Contursi” e, apesar de compartilharem assessores, esforça-se para não ver sua imagem atrelada à do ex-cartola. “Se eleito, o presidente serei eu, não o Mustafá.”

Belluzzo diz que, se for eleito, ficará só os dois anos do mandato, não tentará reeleição e comandará um projeto de reforma estatutária, além da criação de um código de ética para o Conselho – que é quem escolhe o presidente. “Sou como João Batista, a voz que clamava no deserto. Jesus Cristo ainda não apareceu. O clube precisa dos mais jovens.”

Frizzo vê como prioridade o fim das “picuinhas” internas. “O Palmeiras precisa da conciliação da família palmeirense.”

Arena

Se eleito, Roberto Frizzo diz que pedirá para rever alguns tópicos do acordo com a WTorre. Ele foi um dos poucos a votar contra o projeto. “É lógico que sou a favor da Arena, mas não da forma como foi aprovada”, diz Frizzo. Luiz Gonzaga Belluzzo, que ajudou a costurar o acordo com a WTorre, ressalta que a empresa investirá R$ 300 milhões no patrimônio do clube, que é inalienável, além de assumir todos os gastos de manutenção por esse período.

Traffic

Neste ponto, os dois concordam: é importante contar com um parceiro forte para contratações, mas também criar formas de o clube se capitalizar para fazer seus próprios investimentos. Frizzo só reclama de não ter tido acesso ao contrato com a Traffic. Pede transparência. Segundo Belluzzo, o documento prevê que o jogador só é vendido se o clube concordar: “Henrique saiu depois de três meses porque a comissão técnica autorizou.”

Patrocínio

Belluzzo assumiu a diretoria de planejamento há dois anos, um cargo criado por Affonso Della Monica. Nesse período, o valor do patrocínio principal dobrou (de R$ 7,5 milhões da Pirelli para R$ 15 milhões da Samsung) e o de material esportivo quase triplicou (de R$ 3,5 milhões para R$ 9,2 milhões, sempre com a Adidas). Frizzo vê no anúncio da Samsung (hoje de manhã, no clube) um ato eleitoreiro e reclama do vínculo de três anos, maior que um mandato.

Luxemburgo

Frizzo diz que gosta de Luxa, mas acha que o custo-benefício da comissão técnica não vale a pena. “Prefiro o treinador do vizinho (Muricy), que veste agasalho e vai a campo chutar bola para os jogadores.” Belluzzo usa a palavra “gênio” para falar de Luxa e acha que ele é “injustiçado pelas elites, muito preconceituosas por achar que o povo é burro.” Ele compara Luxa ao presidente Lula, já que ambos saíram da pobreza para alcançar o sucesso com trabalho.

Administração

Belluzzo quer a profissionalização de alguns departamentos que considera vitais na administração de um clube como o Palmeiras, como os de marketing, finanças e futebol. Frizzo sugere algo mais à moda antiga. Diz que, como presidente, faria questão de ser mais atuante no departamento de futebol do que foi Affonso Della Monica nestes quatro anos. Frizzo critica os altos gastos no departamento e clama por melhor utilização das equipes de base.

Política

Belluzzo é um dos ícones do grupo “Muda Palmeiras”, que teve forte atrito com Salvador Hugo Palaia em outubro. Houve um racha, mas que acabou contornado e Palaia aceitou ser o candidato a primeiro vice de Belluzzo. Já Frizzo se incomoda quando se referem a ele como “o candidato de Mustafá Contursi” e tenta se desvincular a todo custo da imagem do ex-cartola. “Nunca fui diretor do Mustafá. Se eu for eleito, serei eu o presidente, não ele.”

QUEM SÃO ELES

LUIZ GONZAGA BELLUZZO, 66 ANOS – CANDIDATO DA SITUAÇÃO

Economista, é professor da Unicamp e conselheiro de Lula. Foi membro da equipe econômica de José Sarney e secretário de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo. Derrotado por Mustafá na eleição de 2003 (175 a 77).

ROBERTO VICENTE FRIZZO, 63 ANOS – CANDIDATO DA OPOSIÇÃO

Formado em direito, é dono de três lanchonetes tradicionais em São Paulo. No clube desde os anos 70, já foi diretor administrativo e social. Na eleição passada, perdeu por 156 a 123 para Della Monica, de quem foi diretor.

As opiniões sobre os técnicos são verdadeiras ironias do destino.

O que nos aguarda na eleição 2010?

Aproveitemos e cobremos, pois, afinal, recordar é viver.

guilherme.mendes@blogdotrio.com.br

http://twitter.com/guirmmendes

 

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