Publicado por: Blog do Trio | 09/12/2009

Um corinthiano na festa rubro-negra!

Nação Corinthiana,

Há algumas semanas, havia recebido um convite de alguns amigos: assistir a última partida a ser disputada no Maracanã, antes de seu fechamento para as reformas, visando a Copa do Mundo de 2014.

Na época, o São Paulo liderava o Brasileirão e nem imaginávamos que a disputa do título se daria na última rodada. Obviamente, ao constatar que o Flamengo era o favorito a conquistar a taça, a ida ao Maracanã ganhou novos contornos.

Ao caminhar pelo Rio na manhã do sábado que antecedia a partida, fiquei surpreso com a quantidade de pessoas vestindo a camisa do Flamengo nas ruas. Homens, mulheres, jovens, idosos e crianças inundavam Copacabana, Ipanema, Leblon, Gávea e outros pontos, deixando a cidade completamente rubro-negra.

Estas cenas me remeteram rapidamente ao testemunho de Nelson Rodrigues, ao se referir à Invasão Corinthiana de 76 – que oportunamente completou 33 anos neste fim de semana. Foi possível ter uma pequena noção de com teria ficado a Cidade Maravilhosa com a presença de 70 mil corinthianos fazendo festa.

Aliás, festa era o que se via nas horas que antecediam a partida contra o Grêmio. Pessoas vindas de todos os cantos do país estavam no Rio, no intuito de ver o Mengo levantar novamente uma taça nacional após 17 anos. Torcedores se reuniam nos bares e restaurantes, entoando cantos e gritos de incentivo.

A imprensa carioca, por sua vez, exaltava o clima de festa, afirmando que faltava pouco para o hexa rubro-negro. Segundo os jornalistas, era hora de coroar o Imperador. O Grêmio? Ah, este não preocupava, pois a certeza da “entrega” era grande.

Se algum desavisado chegasse à cidade, certamente acreditaria que havia apenas um time no Rio de Janeiro. Vascaínos, tricolores e botafoguenses praticamente haviam desaparecido do mapa.

Na Gávea, a sede do Flamengo estava tomada. Tinha tanta gente que a gigantesca loja do clube estava com as portas semi-abertas, com sistema de rodízio de entrada de consumidores, que se espremiam numa grande fila em sua entrada.

Fila de torcedores de todo o Brasil para entrar na Fla Concept, a loja oficial do Flamengo.

Do lado de fora, carros de som e outdoors dos candidatos à presidência do clube – cuja eleição realizou-se na última segunda-feira – inundavam as cercanias. Ironicamente, Patrícia Amorim, a candidata vencedora, praticamente não se utilizava de tais instrumentos de publicidade.

Outdoores da candidatura do até então presidente do Flamengo à reeleição.

No domingo, a previsão era de sol e muita festa. Mas também, de muitas dores de cabeça.

A empresa de turismo “Onde Estiver Estarei”, que é a agência oficial do Flamengo, quase nos deixou na mão. Além de, sem qualquer justificativa, nos fazer esperar por duas horas, deixou seus clientes a metros do Maracanã sem prestar os necessários auxílios.

A Polícia Militar e a SUDERJ também realizaram suas trapalhadas. Seguraram os torcedores por horas em inexplicáveis filas quilométricas, ao mesmo tempo em que permitiam o comércio de ingressos já utilizados nas catracas e a entrada de pessoas com tíquetes falsos.

Nos dez minutos que antecediam a partida, resolveram liberar a entrada de todos que aguardavam nas imensas filas, permitindo que pessoas entrassem sem qualquer tipo de revista. O resultado disso: o Maracanã estava perigosamente lotado, com todas as cadeiras ocupadas e pessoas se aglomerando nos demais espaços, como escadas e passarelas – inclusive este blogueiro.

Foi informado que haviam cerca de 80 mil pessoas no Maraca, mas não acredito que tinham menos de 120 mil espectadores no local.

A torcida rubro-negra fez uma festa realmente muito bonita na entrada dos atletas, com balões, fogos, bandeirões e cantos contagiantes. Mas, com o começo da partida, a cosa ficou um pouco diferente.

O Grêmio, cujo time contava com muitos jovens reservas, não foi ao Rio a passeio e começou o jogo partindo para cima do Flamengo, que parecia assustado com o ímpeto do adversário.

O time da casa jogava aberto, mas errava muitos passes. Parecia que as comemorações do título por antecipação haviam deixado os atletas rubro-negros desgastados. Adriano, Petkovic, Juan, Zé Roberto e Toró batiam cabeça e tinham dificuldade em armar jogadas.

E neste momento percebi que não há torcida como a Fiel: mesmo quando o Corinthians joga mal, a nação alvinegra não para de cantar e de incentivar, jogando com o time. Já os rubro-negros deixavam a festa de lado e xingavam incessantemente seus atletas.

Os gaúchos não tinham dificuldade para chegar à área flamenguista e não tardaram a abrir o placar com Roberson. Com isso, o Maraca emudeceu. Para piorar, o placar eletrônico apontava que o Internacional vencia o Santo André e, naquele momento, era o líder do campeonato.

Muitos flamenguistas ficaram cabisbaixos e começaram a chorar. O fantasma do Maracanã parecia que iria aprontar de novo.

A impaciência e a tensão da torcida continuou e aumentava a cada passe errado, a cada jogada desperdiçada. Parecia que era o Grêmio quem disputava o título.

Por sorte, o zagueiro ex-palmeirense Deivid achou um gol, após Adriano fazer falta num gremista e praticamente parar a defesa visitante. Neste momento, a alegria voltou e os contagiantes cantos voltaram a ecoar no Maracanã, que balançava com a súbita empolgação rubro-negra.

O tempo foi passando e aflição voltava a tomar conta dos rubro-negros, que viam a equipe jogar mal e os gaúchos aproveitando os espaços para assustar o goleiro Bruno.

Veio o segundo tempo e o Flamengo aumentou a pressão, dominando a partida e acuando o Grêmio. Mas o futebol ainda deixava a desejar, errando no toque final e deixando todos tensos. O Internacional, que goleava o Santo André, ainda era o líder.

Somente aos 24 minutos, num escanteio de Petkovic, que foi convertido em gol por Ronaldo Angelim, a torcida rubro-negra pôde respirar mais aliviada e comemorar um pouco. Mesmo assim, ainda havia tensão no ar. E foi apenas por volta dos 40 minutos que os flamenguistas puxaram um tímido “É campeão!”.

A partida terminou com o placar inalterado e, aí sim, a festa flamenguista começou. Neste momento, boa parte da polícia abriu os portões do Maracanã e deixou o estádio, permitindo que muitas pessoas entrassem no estádio sem nada pagar.

Com isso, houve muita confusão e foram registrados arrastões nas arquibancadas e corredores, gerando inúmeros prejuízos aos espectadores. Felizmente, conseguimos fugir de uma confusão que ocorria na rampa de acesso às arquibancadas e saímos do estádio assim que o jogo acabou, voltando são e salvo para casa.

Tendo em vista o nível do futebol apresentado pelos times que disputavam o título, foi justa a conquista do Flamengo, que trouxe um pouco de luz para o combalido futebol carioca.

Felizmente, surge esperança de melhoras com a chegada de uma nova opção à presidência do Flamengo – bem como à do Santos -, modificando um sistema arcaico, dominado pelos mesmos dirigentes de sempre.

E não adianta chorar. O Flamengo é Hexa!

fabiosallum.blogdotrio@gmail.com

http://twitter.com/FabioSallum

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Responses

  1. Que bosta! só quero saber de corinthians

  2. Depoimento tipico de mais um anti-flamenguista que viu na impossibilidade de titulo do rival regional bambi uma otima oportunidade de torcer para o inter

    Fábio Sallum: Christiano, você só pode estar de brincadeira.

    Eu não fui anti-flamenguista em meu texto. Apenas crítico.

    Torcer para o Inter?? Mas nem sob tortura!

    Abraços!

  3. Embora tenha me divertido com amigos são-paulinos e palmeirenses, por passaram o ano em brancas nuvens, gostaria que o título permanecesse em São Paulo.

    Mas infelizmente os dois amarelaram a reta final, o São Paulo, já por tradição e o Palmeiras pela ansiedade. Interessante que até bem pouco tempo, discutiam se São Paulo ou Muricy que era o rei da cocada.

    Mas não deixa de ser emocionante, quando um clube de grande torcida vence. Esse ano, ganharam os campeonatos Paulista e Carioca, ganharam a Copa do Brasil e o Brasileirão. Eles não foram simples números para enriquecerem estatísticas desses clube, mas principalmente tornaram Corinthianos e Flamenguistas em torcedores muito mais felizes.

    Fábio Sallum: 2009 foi o ano das massas!

    Eu gostei do Flamengo ter conquistado o Brasileirão.

    E de ver nossos rivais morrendo na praia.

  4. Cara, imagina 17 anos sem título brasileiro? E o medo de chegar tão perto, como nunca aconteceu nos últimos 17 anos e perder?
    Vieram na cabeça da torcida todos os fiascos recentes do Fla no maraca lotado: America-Mex, Santo André, etc. O time jogava com uma faixa escrita: “brasileiro é obrigação”.
    Eu nunca vi tanta gente nervosa, tensa, desesperada num mesmo lugar.
    Foi um jogo totalmente atípico até na forma de torcer.
    A torcida empurra na hora que o time tá jogando mal. Ninguém conseguia fazer nada, nem torcer.
    Mas essa era a partida que era inadmissível e em hipótese alguma, jogar mal.
    A semana do jogo, foi a pior e mais tensa semana que já tive na vida. Eu nunca mais quero passar por isso na vida. E o torcedor que falava da certeza da vitória, estava mentindo. O medo de perder era maior que tudo. Não havia fé que suplantasse esse medo.
    Durante o jogo eu me questionava o que faz vc optar por sofrer por um time de futebol
    Vc não ganha nada com isso e mesmo assim faz essa escolha.
    Vc pode ter certeza que a torcida do Flamengo não é daquela forma.
    Sem dúvida, foi o jogo mais desesperador da história do Flamengo.

    SRN

    Fábio Sallum: Realmente o time jogou mal e tornou a partida bem sofrida e emocionante.

    Felizmente vocês conquistaram a vitória e levaram o Rio ao centro do Nacional após tantos anos.

    Abraços!

  5. Não queira tirar vantagem, já fui em jogos do corinthians aqui em São Paulo e a torcida tambem para de incentivar… também xinga… joga copo e tudo mais.

    Somos a melhor e maior torcida do País.

    ps: a invansão de vcs foi contra o fluminense… não tem a minima chance de invasão contra meu mengo no maracanã!

    Fábio Sallum: A torcida do Corinthians incentiva o time durante todo o jogo.

    Obviamente hoje em dia não tem como rolar uma invasão como a de 76, visto que as cargas de ingressos para times visitantes é reduzida.

    Abraços!

  6. Fábião, o Maraca é bonito pra caramba né véio… q comparação injusta a sua hein… se vc for nos jogos dos outros times (São Paulo, Palmeiras, Inter) aí vc pode comparar com a do Flamengo… mas a Fiel não tem comparações (e nem dublê, viu Fluzinho)… Eu particularmente gostei q nossos rivais não foram campeões e nem o Inter… e gostei também q um time desorganizado e todo cheio de dívidas foi campeão, pelo menos queimou a língua dos comentastas e jornalistas q falaram q para ser campeão nos pontos corridos tem q ter planejamento, estrutura e blá blá blá… tem q ter vontade de vencer e raça e por isso eu achei justo… mas não concordo com vc q o Fla é Hexa não… o Vasco é quantas vezes campeão brasileiro?? na última vez ele ganhou de um time de segunda divisão na final.. e daí, o regulamento previa isso… quem pode mais chora menos… o Flamengo por algum motivo não quis jogar contra o Sport, como previa o regulamento, então WO e Sport Campeão…
    Abração véio….
    Vai Corinthians!!!!!!!!!!!!

    Fábio Sallum: A festa no Maracanã foi bonita mesmo!

    Realmente a Fiel é incomparável.

    Sobre o Hexa, as divergências são pontuais – como diria o Cléber Machado.

    Abraços!

  7. Ir em jogo de outro time eu hein……

    Fábio Sallum: Ué, o que tem isso de errado?

  8. Gostei muito da sua imparcialidade nos comentários,sem bairrismos nojentos que estamos cansados de assistir, principalmente da maioria da imprensa paulista, vc está de parabéns. Seja bem vindo toda vez que quiser voltar ao Maraca para ver o Mengão. Um abraço e SRN !!!

    Fábio Sallum: A idéia foi justamente essa, Carlos.

    Parabéns pela festa e pelo título!

    Abraços!

  9. NOTA 10 A SUA PERCEPÇÃO. MAS A TORCIDA ESTAVA NERVOSA DEMAIS. POR ISSO SE CALOU E TRAVOU EM DETERMINADO MOMENTO. MAS SEJAMOS SINCEROS, A TORCIDA DO CORINTHIANS NOS ESTÁDIOS SE RESUME A GAVIÕES DA FIEL, POIS, QDO OS TIMES PAULISTAS LOTAM ESTÁDIO COMPARECEM 25 MIL TORCEDORES.

    Fábio Sallum: O problema é que em São Paulo, o único estádio grande é o péssimo Morumbi.

    No ano passado, o Corinthians lotou a capacidade do estádio do tricolor paulista quando jogou na Copa do Brasil.

    Desde o começo do ano, o Timão deixou de mandar seus jogos lá, optando pelo acanhado Pacaembu.

    As organizadas puxam o coro, mas o restante do estádio canta junto.

    Abraços!

  10. Vc é um merda…… Um paga pau de flamenguista.
    E aí, vc vai ficar babando ovo para eles se formos eliminados hj??
    Vc não é corintiano…
    Seu bosta

    Fábio Sallum: Maicon, você realmente não me conhece.

    Se conhecesse, não falaria tamanho absurdo.

    Pena que não tenha entendido o texto e, sabe-se lá o porquê, tirou conclusões tão equivocadas.

    São situações completamente diferentes. Aposto que, como corinthiano, torceu para que o Flamengo fosse campeão em 2009, ao invés de São Paulo, Palmeiras ou Inter.

    Além do mais, minha paixão pelo Timão não me impede de falar de outros times.

    Abraços!


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