Publicado por: Blog do Trio | 11/11/2009

Jornalismo Esportivo. Relatos de uma Paixão.

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Amigos do Blog do Trio,

Nesta terça-feira, aconteceu, na Saraiva Megastore do Shopping Pátio Higienópolis, o lançamento de “Jornalismo Esportivo. Relatos de uma paixão“, o mais novo livro do jornalista Celso Unzelte. A obra é, na verdade, o quarto volume da coleção “Introdução ao Jornalismo“, organizado pela gabaritada jornalista Magaly Prado.

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O livro, que tem um belo prefácio de Juca Kfouri, é organizado de maneira didática e envolvente, mostrando que o profissional da área deve seguir as mais basilares regras éticas do jornalismo e deve saber dosar paixão e imparcialidade, de modo que uma não atrapalhe a outra.

Como um verdadeiro professor, Celso Unzelte utiliza sua experiência na área para esmiuçar todos os detalhes do jornalismo esportivo, apontando ao leitor todas as possibilidades de estudo e trabalho na área, sempre destacando os prós e contras de cada escolha.

Ao final, Celso ainda trata das perspectivas da carreira, tecendo um panorama do mercado atual, deixando claro – e de maneira intimista com o leitor – que cabe a este apresentar-se ao mundo, correr atrás de seus sonhos e batalhar para conquistar seu espaço.

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Muitos fãs, bem como importantes nomes do jornalismo e do esporte, lotaram a Saraiva Megastore para prestigiar o lançamento da obra.

Jornalismo Esportivo. Relatos de uma paixão” é leitura obrigatória para quem deseja ser jornalista esportivo ou conhecer um pouco mais sobre este mundo tão fascinante – mas que poderia ter mais profissionais à sua altura. Segue abaixo um trecho da obra que trata sobre a relação entre jornalismo e publicidade:

Jornalismo versus Publicidade

Encerramos este capítulo sobre ética com uma discussão sobre os jornalistas esportivos que fazem merchandising (publicidade inserida na programação) ou mesmo a própria publicidade de produtos. Essa prática costuma se dar nas chamadas mesas-redondas da TV aberta. Para isso, de maneira jornalística, apresentaremos a seguir os sete principais argumentos de cada um dos lados dessa história. Depois, definiremos qual é o nosso lado. E, por fim, deixaremos que você, jovem jornalista que começa na profissão e sonha em trabalhar com esporte, escolha o seu caminho.

Aqueles que são contra a mistura de propaganda com jornalismo (não só o esportivo) argumentam que:

1. A ligação com o merchandising fere o que um jornalista tem de mais precioso, sua independência e credibilidade.

2. Jornalismo esportivo é área especializada, e, portanto, o jornalista não pode acumular essa função com outras incompatíveis, como a de assessor de imprensa, empresário ou garoto-propaganda. No caso de desejar exercer alguma dessas outras funções, terá, antes de tudo, que deixar de ser jornalista.

3. O jornalista que faz publicidade está cultivando uma relação perigosa e antiética, pois, ao fazer propaganda de determinado produto, como poderá apurar de forma imparcial um fato que envolva alguém ligado àquele mesmo produto? No meio esportivo, no qual tantos dirigentes são também empresários, essa situação é recorrente.

4. O patrão do jornalista é o leitor, ouvinte ou telespectador, não o anunciante.

5. Quanto mais merchandising houver, mais a informação fica em segundo plano.

6. Vantagens conseguidas com a prática do merchandising, como hospedagens e jantares em troca de pequenas inserções durante a programação, principalmente no rádio e na TV, constituem o famoso “jabaculê” (também chamado de “jabá”) e destroem a credibilidade do jornalista.

7. Pelos mesmos motivos expostos anteriormente, o merchandising é aceitável em programas de entretenimento, mas não nos programas em que a informação é o foco.

Publicidade e jornalismo convivendo juntos no merchandising? Por que não?, perguntariam aqueles que são a favor, e que apresentam os seguintes argumentos:

1. Jornalistas esportivos sempre leram textos publicitários durante as coberturas de futebol. Faz parte da atividade.

2. Programas esportivos são também entretenimento, não apenas informação, e por isso podem comportar, sim, o merchandising.

3. Os anunciantes que procuram esses programas são empresas sérias e profissionais, e os escolhem por visualizar neles a credibilidade necessária para o merchandising.

4. Se o produto que anunciam não for bom, ele, pelo fato de serem as estrelas das mensagens publicitárias, não têm nada a ver com isso, pois não têm acesso à vida íntima e fiscal das empresas que anunciam.

5. Quem é contra o merchandising no jornalismo esportivo é invejoso, pseudojornalista ou patrulheiro fracassado. Cada um age como quiser e o julgamento deve ser do público, do mercado, dos veículos de comunicação, do torcedor, do ouvinte, do telespectador, dos clientes patrocinadores e das agências de publicidade contratantes.

6. O espaço que o merchandising está ganhando na mídia mundial deve-se à desvalorização do intervalo comercial tradicional. Trata-se de um processo irreversível.

7. Os empregos, principalmente dos jornalistas, são alavancados pelos recursos obtidos com o mercado publicitário. Portanto, se o jornalismo tem vergonha da publicidade, que viva sem ela.

Eu fecho, de longe, com os primeiros: sou absolutamente contra a presença do merchandising em programas não só esportivos, como de informação em geral. E você, futuro jornalista esportivo? De que lado ficará?

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Celso Unzelte recebe com muito bom humor os membros do Trio.

fabiosallum.blogdotrio@gmail.com

http://twitter.com/FabioSallum

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Responses

  1. Fábião, nunca serei jornalista porém compartilho de sua opinião… pra tudo tem a hora certa senão o espaço onde deveria estar a notícia passa a ser vulgarizado… nada contra o marketing mas ás vezes falta a consciência de q o telespectador é q financia o programa e não a empresa q o patrocina pois se o telespectador não o assistir, ouvir ou comprar o produto sugerido nenhuma empresa vai querer fazer a propaganda… acho um desrespeito com o telespectador propaganda cortando o assunto principal do programa porém sou adepto à idéia de q se ninguém assistisse a programas q fazem isso esse programa sairia do ar…
    Abração
    Vai Corinthians!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Fábio Sallum: Wagner, o jornalismo esportivo está se perdendo em tantos merchandisings.

    Ao ouvir um programa desses no rádio, por exemplo, é nítido que a publicidade ocupa mais tempo no ar que o próprio conteúdo futebolístico.

    Esse tipo de prática atrapalha a isenção necessária para o fornecimento da informação.

    É uma prática difícil de combater, visto que os espectadores não possuem muita consciência do poder que tem nas mãos: o de escolha.

    Abraços!


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